Entrevista com o trader esportivo Nettuno – “O meu maior orgulho é das pessoas que aprenderam comigo a fazer trade e que hoje ganham dinheiro”

Redator:
Odds Scanner
Publicado em:
13/10/2021
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O gaúcho Fábio Bampi, mais conhecido como Nettuno no trade esportivo, atua no ramo há mais de 10 anos. Natural de Porto Alegre, ele começou no mundo do trade esportivo por pura curiosidade – e pela paixão pelo futebol. O grupo de amigos com quem ele operava, trocava ideias e dividia as angústias diariamente, foi o que ajudou Nettuno a suportar as dificuldades dos primeiros anos e não desistir – afinal, ele cometia os erros que todo o iniciante comete, e quebrou a banca várias vezes, até conseguir finalmente “empatar”, ou seja, parar de perder.

A partir daí, os métodos começaram a mostrar resultados, o emocional foi amadurecendo, e o lucro começou a aparecer – mesmo com os reds pelo caminho, que, segundo ele, são “um companheiro” constante na vida do trader. E aquilo que antes era curiosidade, começou a se tornar algo – bastante – promissor.

Hoje, além de viver do trade, Nettuno também ajuda milhares de pessoas a evoluir na área através dos cursos que oferece e do conteúdo que produz online. São mais de 180 mil inscritos no seu canal do YouTube, onde ele compartilha inúmeras dicas, métodos, estratégias e histórias incríveis da sua trajetória – algumas delas que você confere a seguir, na entrevista exclusiva que ele concedeu ao Odds Scanner. Veja abaixo:

Odds Scanner: Eu vou começar com uma pergunta bem simples, mas que eu não sei se você vai saber me responder: por que o apelido Nettuno?

Nettuno: Eu acho que esse nick vem do game Battlefield 2, que eu jogava lá nos primórdios da internet. Eu não lembro porque eu coloquei esse nick. Quando eu vim para o trade, eu conheci um grande amigo português, o Rui Maria Morgado. E não tinha conteúdo nenhum, o primeiro conteúdo que a gente fez foi no Facebook, porque lá naquela época não existia Telegram, nem Instagram. Então, um dia, a gente estava jogando um game e conversando, e ele perguntou qual nome eu ia colocar pra jogar. Primeiro, ele colocou Back Lay, então eu disse que ia colocar Lay Back, mas ele disse que ia ficar muito parecido, que era pra eu mudar, e me sugeriu colocar Nettuno. Então, eu coloquei, e agora não consigo mais tirar, né? É mais ou menos essa a história. Foi totalmente no chute, coisa de dois parceiros conversando.

Odds Scanner: Vamos falar um pouco da sua trajetória no trade. Você é formado em Educação Física, e já tinha operado na bolsa de valores antes. Quando conheceu o trade esportivo, quebrou a banca várias vezes, e foram pelo menos dois anos até começar a não perder, para depois ganhar. O que você acha que te fez seguir em frente, mesmo com todos os tropeços do início, e qual a importância de ter essa visão de longo prazo? 

Nettuno: Essa pergunta é complexa. Eu acho que uma coisa que fez eu seguir em frente foi o grupo de pessoas com quem eu operava. Eu acho que isso foi algo muito importante. Hoje, existem milhares de formas de se comunicar, como Discord, WhatsApp e Telegram, mas, naquela época, isso era muito restrito – estamos falando de quase 12 anos atrás, quando um (1) mega de internet era luxo. E, na época, tinha dois lugares que a gente usava para buscar informações sobre trade: o Orkut – na comunidade do Rodrigo, do LocoBets – e o outro era no fórum da Academia das Apostas, do Paulo Rebelo, lá de Portugal. Eu usei muito esse fórum, era um usuário extremamente ativo, compartilhava minhas experiências e trocava ideia com a galera toda. Nós tínhamos um grupo; era eu, o Manguile – que também era brasileiro – e o resto eram cerca de seis ou sete portugueses. Nós operávamos juntos, praticamente todos os dias, e todo mundo estava aprendendo. Estávamos numa fase igual, com alguns um pouco mais experientes que os outros. Eu acredito que, se eu não estivesse nesse grupo, talvez eu teria desistido. Porque eu cometi todos os erros que todo mundo comete: eu ficava muito feliz quando acertava, ficava muito triste quando errava, recuperava red, dava all-in, e quebrava a banca. Eu cometia todo os erros que todo mundo cometia. Então, quando eu chegava e falava que algo tinha acontecido e não estava funcionando, sempre tinha alguém para trocar ideia. A gente se ajudava. Querendo ou não, um foi puxando o outro. Portanto, eu acho que esse foi, talvez, o fator mais importante para eu prevalecer durante, principalmente, o primeiro ano. Isso porque o primeiro ano para quem chega é tiroteio, pois sobreviver o primeiro ano é complexo. Passado esse período, você começa a entrar em uma fase de perder menos, mas tem que parar de cometer os erros do primeiro ano – como dar all-in, recuperar red, etc –, senão o caminho vai ser muito difícil. Mas isso (grupo de amigos) foi uma coisa que me ajudou muito assim, nesse primeiro impacto no mundo das apostas.

Odds Scanner: Falando em tropeços, você fala que muitos iniciantes vão parar no Teorema da Escada. Explica pra gente o que é isso e como sair dele?

Nettuno: Não fui eu que inventei o Teorema da Escada, isso foram outras pessoas que me trouxeram. Porque eu não sou o melhor trader, longe disso, mas eu provavelmente sou o cara que mais fala com outros traders. Eu estou 24 horas por dia imerso dentro da comunidade de apostas, então muita gente fala comigo e eu converso com muita gente sobre isso. Então, eu fui juntando informações: “cara, isso aqui aconteceu com fulano e aconteceu com ciclano”, e depois na outra semana alguém me trazia o mesmo relato e várias pessoas continuaram me relatando o mesmo enredo. Então, eu percebi um padrão nessa quebra de branca dessa galera toda. Um dia, eu parei e olhei tudo que eu recebi, como e-mails e mensagens, e vi que era o Teorema da Escada. O que acontecia era: uma pessoa tinha uma banquinha de R$100, e começava a fazer seu trade. Ela dá all-in em um jogo do PSG (Paris Saint-Germain), por exemplo, e acerta, dá uma subida e continua fazendo a mesma coisa, como se estivesse subindo uma escada para cima. Só que chega uma hora que ela vai dar o all-in, mas o PSG não vai ganhar o jogo, aí ela quebra a banca dela. E essa é a forma absurdamente comum de acontecer, porque depois que eu publiquei um vídeo contando isso, apareceram milhares de comentários de pessoas dizendo que era exatamente isso que tinha acontecido com eles. Então, juntando as informações que a galera me trazia, e tendo a experiência de também ter caído no Teorema da Escada, eu consegui enquadrar ele e explicar isso pra galera. Isso (Teorema da Escada) deveria ser algo de conhecimento obrigatório para quem chega nesse mundo, porque essa é uma forma muito comum de quebrar a banca. 

Odds Scanner: Você conta que foi através do método de ciclos que conseguiu chegar a 1k de banca, lá no início da carreira. Explica pra gente o que é esse método e quando, em geral, já é considerado o momento de abandoná-lo?

Nettuno: O método de ciclos é uma forma de gerir a sua banca, não um método de trade. Ele não é uma maneira de se operar, ele é uma maneira, apenas, de gerir sua banca e colocar sua stake. Eu acredito que a grande vantagem dele é a parte da disciplina. O método de ciclos me deu a disciplina que eu não tinha. No início, quando eu era iniciante, às vezes eu ficava muito tempo exposto em um jogo e, quanto mais tempo você faz isso, mais você vai aumentando o seu risco. Então, no início eu estava naquele giro. Quando eu me coloquei no método de ciclos, eu consegui ter disciplina. Eu pensava: “Eu vou entrar nessa situação de jogo, vou ficar um pouco e ponto final, caio fora e vou para a próxima”. E isso me deu um norte, e se tornou o início de todos os métodos que eu vim a fazer depois de aplicação do trade. Porque, naquela época, eu fazia muito Under limite, que é você entrar para não querer o gol de nenhuma das equipes. Eu também entrava muito Lay favorito do segundo tempo, e lay é quando a gente está contra alguma coisa na partida. Então, o método de ciclos, além de ter me dado a noção de gestão de banca, me fez perceber aonde que o jogo tinha maior situação de odd, e eu comecei a repetir a mesma coisa. Eu buscava o mesmo trade e repetia isso todos os dias. Foi quando eu percebi que – por exemplo – em tal padrão de jogo eu não poderia entrar, porque o risco seria muito grande e eu sabia que eu teria que ficar ali cinco minutos exposto, e eu não queria ficar esse tempo exposto contra, por exemplo, um Bayern de Munique jogando contra o lanterna da Bundesliga. Então, isso foi me dando padrões de jogo e, a partir dali, eu fui vendo padrão de lay, padrão de back. Assim, as coisas foram caminhando. Mas acredito que o grande benefício desse método é te mostrar onde você entra, onde você sai, e tira aquela questão da ganância, que é muito importante. Porque, às vezes, a gente entra em uma posição de segundo tempo, em um lay que você ganhou 10%, por exemplo, e decide ficar só mais um pouquinho para ganhar um pouco mais, e quanto mais você fica, mais você acumula risco, e depois acaba levando gol e devolve todo o lucro, e ainda deixa um prejuízo para trás. Então, nesse ponto, me deu disciplina. Para mim, essa é a grande vantagem do método de ciclos, e depois as coisas vieram de forma mais natural.

Odds Scanner: E, falando em banca de 1k, você pode contar pra gente uma história um pouco tragicômica, que te abalou bastante, do dia que você finalmente chegou nesse valor, e acabou perdendo tudo em uma corrida de cavalos? Aquilo fez você chegar a pensar em sair do trade?

Nettuno: Eu contei essa história em algum vídeo há muitos anos, e todo mundo me pede pra contar até hoje. Hoje, eu conto sorrindo, mas na época… Essa foi a vez em que eu mais estive perto de abandonar o trade, disparado. Quando isso aconteceu, eu abandonei o trade por alguns dias. Depois eu voltei, muito apoiado por aquele grupo, que eu te falei na primeira pergunta. Se eu não tivesse aqueles caras ali comigo, eu provavelmente não teria voltado. Porque eu sumi, fiquei um tempo longe, mas eu tive que voltar porque eu sabia que, quando eu encontrasse aqueles caras, eu ia ter que falar com eles e contar que eu havia quebrado a banca. E o problema é que nós já estávamos em uma situação em que a gente não quebrava mais a banca, e eu tive que chegar lá e assumir que eu tinha quebrado. Mas me fez um bem danado chegar na frente dos meus parceiros de trade e falar: “Quebrei a banca e errei”. E, desde então, foi a minha última quebra de banca.

A história foi a seguinte: foi mais ou menos no início do método de ciclos. Eu tinha uma banca de 100 e queria chegar em uma banca de 1k, que eu nunca tinha tido, e era o meu grande objetivo. Então, fiz tudo como tinha que ser: botei o método em uma planilha, deixei tudo organizado, e fui para o mercado. Comecei o trade, que deve ter durado cerca de três meses, e saí da minha banca de 100 para 1k, tendo tomado vários reds e greens no caminho. Cheguei nesse valor em algum jogo da Europa, que não me lembro mais, e fiquei feliz, faceiro! E estava tudo certo. Naquele dia, à noite, tinha um jogo do Athletico Paranaense, que eu não lembro contra quem, mas era um jogo do Athletico. Eu fui operar nesse jogo da mesma maneira que havia operado nesses três meses, tudo igual e tudo certinho. Entrei no jogo e tomei um gol contra minha posição, um gol normal, que eu tinha tomado vários iguais nesse caminho. Só que esse gol fez com que minha banca, que estava um pouco acima de 1k, caísse para 970-980. Eu parei, fechei a posição, da maneira que o meu método mandava, e fiquei olhando para o meu saldo e pensei: “Não é possível que eu não vou dormir com 1k de banca”. E, por mais básico que seja eu contando isso agora, isso me desestabilizou totalmente. Na verdade, se eu continuasse fazendo aquilo que eu vinha fazendo, provavelmente no dia seguinte eu já estaria no 1k que eu queria e seguiria adiante. Mas, naquela hora, eu queria voltar rápido para 1k. Qual a maneira mais rápida de voltar? Você se expor no mercado limite, e eu fui lá pro Under limite. Já era um erro eu ter saído dos meus métodos e fazer o método que eu não fazia. Eu não fazia Under limite nessa sequência que me fez chegar a 1k. E, além desse erro, eu cometi um outro erro, que foi aumentar minha stake. Se eu tinha uma stake de 50-100, eu passei a colocar uma de 200-250. Então, eu entrei no Under limite, e era só três minutos que eu precisava para não sair gol e eu voltaria para o meu 1k, e resolvia a minha vida. Mas foi só eu entrar, que, logo após, suspenderam o mercado e eu levei o gol. Eu pensei: “Não é possível que eu tomei esse gol”. A minha banca caiu de 970 para cerca de 700. Eu pensei: “Por que eu fui entrar nesse Under limite e aumentar a minha stake?”. Na hora, eu tive consciência do erro que eu tinha cometido. Enfim, não tinha mais jogo e eu fui dormir. Acordei no outro dia e o meu emocional só conseguia me fazer enxergar aquele 1k de banca. O meu lado emocional gritava mais forte que o meu racional, mesmo sabendo que eu tinha feito uma “cagada” muito grande. Na época, meus filhos nem eram nascidos, então eu acordei e fui direto para o computador. Naquela hora, só tinham campeonatos de futebol de países muito distantes, tipo Campeonato Indiano, mas tinha corrida de cavalos! E eu não sabia nem quantas patas tinha um cavalo naquela época. Sentei, abri o site, o software, e tinha uma corrida para começar em dez minutos, com 20 cavalos competindo. Eu não entendia nada de cavalo, mesmo assim eu pensei: “Tem um cavalo aqui que está com a odd certa, eu vou pegar os meus 700 de banca e vou ir contra esse cavalo, e é só ele não ganhar”. Ele não era um dos favoritos para ganhar. Então, eu peguei a minha banca inteira – olha o erro de iniciante – e dei lay nele. Tudo certo, fiquei sentado na frente do computador e começou a corrida de cavalos, e era uma corrida longa, e aqueles cavalos todos amontoados, eu nem sabia direito qual era o meu cavalo. O mercado começou a meu favor, começou a subir, entrei no green, comecei a me tranquilizar emocionalmente, o coração já começou a bater mais devagar, e a odd do cavalo foi lá pra cima. Voltei pra 1k de banca, tudo tranquilo de novo. De repente, aquela odd parou, e começou a descer. Eu já não sabia nem qual era o meu cavalo na corrida, e o software mostrando que a odd ia cada vez mais pra baixo. Depois, voltei pro zero a zero, e fiquei naquela ansiedade e turbilhão de emoções: “Será que fecho a posição ou mantenho aberto? O que eu faço?” E comecei a entrar em red, e não achava o meu cavalo na tela… e, no fim, o desgraçado do cavalo ganhou a corrida! Eu quebrei a banca! Que pancada. Não durou 24 horas para eu perder aquilo que eu tinha demorado meses, talvez anos para conquistar. Aquilo foi uma pancada. Me lembro que saí e só voltei por causa do apoio daqueles caras que eu te falei. Agora é cômico, porque já passou muito tempo, mas na época foi tenso.

Odds Scanner: Essa história evidencia a questão do emocional, e você fala muito da importância de ter um emocional amadurecido para conseguir operar no trade… Uma dificuldade que muita gente que inicia tem é a de lidar com os reds, e a vontade de querer recuperar o red. Como foi, pra você, entender que os reds fazem parte da trajetória do trader? 

Nettuno: O red é um companheiro que está sempre te incomodando ali do seu lado. Uma hora ou outra, você vai tomar. Como a gente entende que o red faz parte desse negócio? Não sei te dizer. Porque, embora ele seja uma representação matemática, um número do prejuízo, como cada um de nós lida com um red é o que faz com que tantas pessoas quebrem e não consigam ter sucesso. Porque, se a gente for pensar de forma técnica de operar, de pessoas que sabem ler um jogo e que sabem interpretar as estatísticas, a gente vai ter um número muito grande de pessoas que são boas nisso, operacionalmente. Mas quando você traz essa galera para a prática, muitos se perdem, porque muitas vezes você comete um erro e nem sabe explicar o porquê de ter feito aquilo. E segue sem entender, mesmo consciente de que aquilo foi um erro emocional, e não um erro operacional… Porque os reds operacionais são pequenos; já os grandes, são emocionais. E depois acontece de eu repetir o mesmo erro no outro dia, sabendo que era um erro. Então, a que ponto o emocional ficou tão superior ao racional para fazer essa cagada? E isso acontece não só comigo, mas com a maioria das pessoas. Talvez um psicólogo vai saber explicar, mas eu não tenho conhecimento técnico pra explicar. Mas é por isso que os reds grandes são os emocionais, e os pequenos são os operacionais. Os reds grandes são quando o emocional entrou em campo. E quando o emocional entrou em campo, o trader se perdeu. 

Odds Scanner: Quando você resolveu compartilhar nas redes sobre o maior red da sua carreira, até então, você pontuou a “total falta de concentração” e a “síndrome do super-homem”. Explica pra gente o que aconteceu? E você já superou esse episódio?

Nettuno: Já superei e, inclusive, já tomei reds maiores. Doeu, no bolso sempre dói. A “síndrome do super-homem” é quando a gente acha que sabe mais que o mercado, e quando a gente acha isso e comete o erro de subir a stake. Por que você está subindo a stake? Se está dentro do planejamento, ok. Mas se você sobe porque acha que sabe mais que o mercado, é um (1) passo para você tomar uma cacetada. E isso é algo tão sacana que acontece com vários alunos meus. Anteontem, que a galera vinha de uma sequência boa pra caramba, de dois meses bons, eles começaram a subir stake, e a gente discutiu isso bastante, e cada um tinha uma justificativa e estavam se achando superiores ao mercado. Mas, logo depois, veio a cacetada, e perderam dinheiro. Por isso que eu falo: “Para e respira”. Porque quando a gente entra em uma sequência muito boa, a banca sobe, e quando a banca sobe, a gente quer subir a stake, mas o mercado é muito variável. Pouco tempo depois, você volta para a média. Então, a “síndrome do super-homem”, ou “síndrome da mulher-maravilha”, de achar que você sabe mais que o mercado, é um passo ali na frente para você tomar uma cacetada e te trazer de volta para a realidade. 

Odds Scanner: Você bate muito na tecla da organização, de anotar todas as entradas e tudo o que o trader está fazendo pra visualizar o que deu certo ou não. E aí entram as planilhas que você mostra tanto nos seus vídeos. Pra você, existe trade esportivo sem esse tipo de organização? 

Nettuno: Existe. Assim como existe o Messi e o Cristiano Ronaldo. Tem gente que é tão boa que não precisa disso. Eu não consigo atingir o nível desses caras, eu sou um trader mais comum. Eu não sou um Ronaldinho Gaúcho, eu sou um Iniesta, no máximo um “camisa 8”. Eu preciso disso para saber onde eu ganho e eu perco, para mim é fundamental. O leque de mercados é muito grande… então, o leque de opções de entradas que a gente tem no trade esportivo é infinito. O usuário, quando começa a fazer trade, faz um back em um jogo, um over em outro, daqui a pouco um lay… e, durante um mês, ele fez 300 coisas. Então, o único parâmetro desse usuário “médio” é apenas o saldo da banca. Ele vai chegar no final do mês e vai fazer a relação: se ele tinha 100 no início do mês e no final tem mais, ele pensa que está tudo legal. E, se tem menos, ele pensa que está ruim. Mas isso não é verdade. Isso esconde o fato de que, entre esses vários tipos de entradas que ele fez, em alguma delas ele deve ser bom. Ele pode ser bom em mercado de gols, em ver jogos que vai ter gols, ou ele é bom em ver um time que não vai ganhar a partida, para trabalhar em lay, só que ele não sabe, porque aquilo tudo ficou no meio de uma mescla. Então, ele vai acabar girando e brigando com aquele saldo, ganhando dinheiro em métodos em que ele é bom, e devolvendo onde é ruim, sem saber. E isso é uma coisa que faz total diferença. Eu acompanho esse mercado desde 2016, quando eu fiz o meu primeiro curso lá em São Paulo, que foi um curso presencial, e eu tenho contato muito próximo com meus alunos, e deu para perceber, claramente, que a galera que venceu no trade esportivo, venceu porque têm métodos. Se você conversa com um trader lucrativo, ele sabe explicar claramente como ele opera. E o cara que você conversa, e pergunta como faz o trade, e ele não sabe te explicar, ele não vence, pois não tem método. Então o caminho para você ser lucrativo é ter um método. O que pode te dar esse caminho, te mostrar? Uma planilha, por exemplo. Lógico não vou estar abrindo planilha no meio do jogo, mas depois que eu faço uma entrada, coloco no papel e depois eu vou lá preencher na planilha. Faço isso para, no fim do mês, eu ver as planilhas e se o método foi bom ou não. Eu tive, há uns anos atrás, um método que era o do Back favorito no primeiro tempo. Foi um método que me fez ganhar muito dinheiro, mas esse ano o método não está bom, e eu sei disso, então o que eu fiz com ele? Eu abaixei a stake. Afinal, por que eu botaria mais dinheiro em algo que não está me trazendo lucro? E se, daqui a pouco, ele voltar a me dar lucro, eu o uso novamente, mas esse é o fluxo normal. E abaixar stake é uma das coisas mais complicadas que você faz no trade. Mas isso me poupou muito dinheiro, porque, nos meses de red, eu tomei red com menos dinheiro. Então isso foi muito fácil de eu levar. E eu sei disso porque eu anoto e confiro no fim do mês quais métodos funcionaram melhor e onde eu devo subir ou baixar. E vou levando dessa forma. 

Odds Scanner: E ainda nessa questão de ir anotando tudo para afunilar e usar métodos que você é bom e consegue lucrar, só pra gente ter uma ideia: quanto tempo você considera necessário para utilizar um método e ver se ele “funciona”? Como é esse processo pra você?

Nettuno: Antes eu era mais agressivo, mas hoje eu acho que é pelo menos um (1) ano. Estou começando um método X agora, por exemplo, e vou rodar com ele um (1) ano, vou definir uma banca pra ele, uma stake pequena. Vou rodar primeiro três meses para ver como é. Às vezes, ele nem chega nos três meses. Às vezes, eu operando já sinto e vejo que não gostei e que não está fazendo sentido para mim, e já paro. Já nem gasto energia com ele. Mas tem que esperar pelo menos três meses, pois você nunca vai começar com o método pronto, é muito raro. Porque você, uma hora, vai ver que tem uma odd errada, que tem que pegar outra diferente; você vê que o critério de jogo não pode ser de uma maneira, que tem que ser outra; tem times que pode fazer, times que não dá. Então, você vai ajustando isso, que são os primeiros três meses. Quando você tem cerca de seis meses de green, aí você já está com o caminho aberto, e aí deixa fechar um (1) ano. Fechou um (1) ano, aí sim, dá para colocar um dinheiro um pouco mais pesado em jogo. Então, hoje, esse prazo tem que ser de um (1) ano para mim. Se o método sobreviveu esse tempo, provavelmente será um método consistente. E nesse ano é normal ter fases de altos e baixos com ele. Isso é uma coisa muito importante, porque às vezes você começa em um método, e a galera faz, por exemplo, um (1) mês bom, mas o método vai se firmar mesmo na bad run… ele está indo bem, de repente baixou e tomou muitos reds, mas você continuou e ele voltou a subir e ultrapassou. Aí sim, você sabe que aquele é um método que você vai ter. Porque você ganhou dinheiro com ele, você perdeu, não se descontrolou e conseguiu fazer ele mesmo na fase ruim, e depois recuperou tudo e voltou para o green, e “foi embora”. Esse é o método que vai ser lucrativo no longo prazo. Então, no prazo de um (1) ano, é muito provável que você passe por esses altos e baixos.

Odds Scanner: Você diz que o conhecimento das equipes ajuda muito no trade. Atualmente, qual é a média de jogos que você opera por semana? E você opera em jogos do seu time, o Grêmio?

Nettuno: Eu costumava operar poucos jogos por semana. Eu operava dois, três ou cinco jogos por semana, pré-pandemia. Depois da parada da pandemia, que voltaram os jogos de futebol, eu entrei em um overtrade muito grande; eu cheguei a operar 200 jogos por mês. Agora eu abaixei o ritmo e devo estar operando cerca de 80 jogos por mês. Mas eu nunca mais voltei àquela fase de fazer 20-30 jogos por mês. Eu continuo em uma fase bastante grande, para mim, de jogos feitos. E se eu opero em jogos do Grêmio? Opero. Se eu falasse que não, eu estaria mentindo. O Grêmio teve uma fase muito ruim, mas clara para o trader, agora já não está tanto. Estamos em setembro de 2021 e o Grêmio está na 17ª colocação do Brasileirão. Então, teve um momento que foi muito claro o que ia acontecer nos jogos do Grêmio, você via os lays do Grêmio… Infelizmente, pelo lado do Grêmio, estava ruim, mas pelo lado do bolso, não tinha o que fazer, paciência. Vida que segue.

Odds Scanner: Outro ponto que você enfatiza muito: a gestão de banca. Quais são as principais dicas que você dá sobre isso?

Nettuno: A principal dica para quem está começando no trade é usar pouco dinheiro. Aquele dinheiro que não vai te fazer falta. Jamais cometa a cagada de colocar ali um dinheiro você precisa no final do mês. “Eu vou botar esse dinheiro aqui para, no final do mês, eu sacá-lo com 20% de lucro”. Não é assim que funciona. Não é assim que a banda toca. Coloca aquela grana que literalmente não vai te fazer falta. Essa é a dica número 1 para quem está começando. Jamais venda carro ou faça empréstimo, pois você está apenas começando uma atividade. Coloca lá aquela grana da cerveja e da pizza, aquela que não vai te fazer falta. Depois de colocar esse dinheiro, você tem que dividi-lo. Eu falo pra pessoa ir operar com 2,5%, só que aí a imensa maioria não vê sentido nisso, acham que é muito pouco dinheiro. A solução para essas pessoas que estão iniciando no trade é depositar um monte de grana, só que elas não sabem operar. O que acontece? Elas começam a tomar reds até quebrar a banca. A banca que você quebra com 100, você quebra na mesma velocidade que uma banca de 10k, por exemplo – vai quebrar igual, é uma ilusão achar que não. Quem não tem conhecimento, não sabe que é uma renda variável extremamente agressiva. Em um período de 90 minutos você vai do céu ao inferno e do inferno ao céu, várias vezes. Isso é muito agressivo, a gente não é acostumado a ter essa agressividade tão forte. Ao contrário da bolsa de valores, que é agressiva, mas não é nem perto disso. Aqui, você perde ou ganha 100% da sua banca em um estralo, e você tem que saber lidar com isso. Você pode estar cheio de dinheiro, mas com um clique errado você se perde na sua caminhada. Então, comece com pouco dinheiro e aprenda a operar. O objetivo do iniciante não é ganhar dinheiro, porque ele não vai ganhar dinheiro instantaneamente. Ele tem que, primeiro, aprender a operar os seus métodos. Depois disso, tem que aprender a parte emocional, que não tem como ensinar, você só aprende na prática, com o tempo. Todo esse processo vai ser mais barato se você usar pouco dinheiro. Depois de tudo isso, com método validado, depois de ter passado por várias coisas, se a sua banca não tiver crescido sozinha – que é o ideal –, aí você coloca mais dinheiro, porque você vai saber o que você está fazendo. Mas o grande erro é chegar e colocar muito dinheiro. Fazendo uma analogia: é a mesma coisa que você passar no vestibular de Direito e ir, no dia seguinte, debater com juízes do Supremo. Não dá. Você precisa de muitos anos pra isso. No trade, é a mesma coisa. Você vai abrir a sua conta, vai aprender com o tempo. Depois, vai aumentando. Só que essa questão do tempo não tem atalhos. Pode levar meses ou anos, mas a galera do imediatismo quer ganhar dinheiro no final de semana e comprar uma Ferrari amanhã, aí quebram a banca. 

Odds Scanner: Ainda nesse assunto, a história do seu maior green é muito interessante, porque, ao mesmo tempo que você ganhou, você também cometeu um erro de gestão de banca. Conta pra gente?

Nettuno: Esse era o último jogo da fase classificatória (Portugal x Irã, Copa de 2014). Portugal podia empatar que classificava. O Irã já entrou em campo eliminado e estava 1 a 0 para Portugal, tudo certo a favor de Portugal. Mas, bem no final do jogo, o Irã achou um gol e empatou a partida. Então, quando o Irã fez o gol, a seleção de Portugal se retrancou, pois, se perdessem, seriam eliminados. Mas na hora, o mercado deu uma odd muito errada, de que Portugal estava buscando a vitória. Já deu um peso errado ali – mesmo que esse fosse o caso, não poderia ter uma odd tão baixa, foi de 6 naquela época. Mesmo que ele estivesse precisando da vitória, a odd tinha que ser um pouco acima disso. Mas Portugal foi todo para trás, tanto que o Irã chegou a botar uma bola na trave… Então, eu usei um erro do mercado para ganhar dinheiro em cima daquele erro, das pessoas que achavam que Portugal iria vencer a partida. Eu entrei lay Portugal e fiquei naquela posição. Mas eu me expus… primeiro, isso nem era meu método, foi apenas na minha experiência de trade. Mas eu coloquei muito dinheiro lá dentro. Então foi, sim, um erro de gestão de banca em cima de uma situação de muito valor. Porém, ela ter muito valor não significa que vá dar certo. Tem muita coisa que pode dar errada – tem a imprevisibilidade do futebol. Ou seja, se Portugal vai e faz um gol, o que não era impossível, eu tinha me ferrado. Eu teria tomado um red violentíssimo, mas acabou dando certo. Eu não repeti isso tantas vezes mais, mas agora eu já me preparei pra isso. A partir de agora, eu já estou mais preparado para essas situações, vou colocar uma stake que já estou preparado para colocar. Naquele momento, eu não estava, por isso foi um erro. Lá na frente, vai ser outra situação, porque, se eu tomar o red, eu já sei qual vou tomar. Eu acertei na leitura de jogo e de mercado, mas foi um erro meu de gestão de banca. Que bom que deu certo, porque, se desse errado, eu teria me ferrado. 

Odds Scanner: E como é um dia de trabalho do Nettuno? O que não pode faltar? Conta pra gente onde você opera – se puder explicar brevemente sobre a Betfair – e quais as ferramentas que te auxiliam no trade?

Nettuno: O trade esportivo não é feito em casa de apostas, mas em exchanges. Exchange é onde tem usuários que trabalham em back e em lay. São usuários, por exemplo, querendo entrar contra Portugal e outros querendo entrar a favor, e a gente se cruza assim, nessas odds. Para fazer isso, nós precisamos da exchanges, e hoje a maior do mundo é a Betfair. Fora a Betfair, eu utilizo um software, que funciona em cima da Betfair, que é o LayBack, que me auxilia e me dá mais agilidade no mercado. E utilizo, também, um sistema de streaming. Além de uma folha e uma caneta para ir anotando meus greens e meus reds no final do dia.

 
Odds Scanner: Você foi o pioneiro na produção de conteúdo sobre o assunto – o seu canal no Facebook foi o primeiro de contato direto com as pessoas sobre o trade esportivo. Como foi nesse início? Teve medo de alguma represália ou de as pessoas não entenderem o que você estava tentando transmitir? Ou, pelo contrário, se impressionou com o retorno positivo?

Nettuno: Eu acho que toda a parte de produção de conteúdo, desde o meu primeiro post no Facebook, que eu fiz junto com o Morgado, nunca foi algo planejado. No início, a gente só fazia o trade, tirava um print do resultado e postava, só isso. Não tinha conteúdo, não tinha explicação, não tinha nada. E então, as pessoas começaram a perguntar coisas sobre as fotos, e eu explicava, e acabou virando a produção de conteúdo. Depois disso, eu resolvi colocar um vídeo no YouTube, e colocava um vídeo a cada três meses. O meu canal foi crescer, de verdade, de 2019 pra cá. Antes disso, eu só era conhecido, logicamente, dentro da cena do trade esportivo. Depois de 2019 foi que comecei a produzir mais conteúdo, que foi quando eu comecei a fazer vídeos diários com o “Café com Apostas”. E foi aí que as coisas começaram a andar mais. Mas, até hoje, eu não sei como vão ser as coisas daqui pra frente. Ano que vem, com a Copa do Mundo, é o que eu chamo de “pico dos 4 anos” – pois, com a Copa, as apostas atingem o seu ápice. Mas eu não tenho nenhum planejamento para o ano que vem. A única coisa que eu planejo é que, depois da Copa do Mundo do ano que vem, eu vou parar com a produção de conteúdo. Tem muita gente boa aparecendo e acho que é hora de parar. Eu acho que o meu papel, enquanto produtor de conteúdo, já foi cumprido, eu alcancei o que eu achei que nunca alcançaria. Eu sempre tento contar histórias de pessoas que venceram com o trade e também histórias pesadas, de pessoas que não conseguiram e que também se viciaram. E acho que nessa série de vídeos eu consegui dar um cenário geral, junto com a parte técnica que já tem produzida. Então, eu não vejo como eu consigo contribuir muito mais. Hoje, eu me vejo quase que falando o que eu já falei. Então, acho que está na hora de dar o espaço pra galera mais nova, que tem menos cabelos brancos. 

Odds Scanner: E nos dias de hoje – você tem a página no YouTube, Instagram, Telegram… como é a troca com os seus seguidores e com outros profissionais da área que também produzem conteúdo? 

Nettuno: Para mim é algo absurdamente simples e natural. Porque o que eu faço hoje é apenas um vídeo no YouTube. E o vídeo que eu faço, eu faço sem equipe, sem editor e sem nada. Eu simplesmente ligo a câmera, gravo e jogo o vídeo na internet sem nenhuma edição. Porque isso é uma coisa que ocupa muito tempo. Existem vídeos de 20 minutos que você gasta 20 minutos para gravar e seis horas para editar, dependendo do nível da edição, então eu não faço nada.  E no Telegram eu apenas compartilho o que eu estou vendo no mercado e coisas do meu dia-a-dia, então isso é muito natural. Eu desativei o Facebook, e o Instagram é uma coisa mais pessoal, não é tão voltado ao trade. São mais fotos e vídeos com meus filhos, ou seja, é algo mais descontraído. Minha relação com os outros produtores de conteúdo é super boa. Tem pessoas que tem treta comigo, mas eu não tenho treta com eles. Prefiro não citar nomes, mas eu me dou bem com quase todo mundo. Tudo que está ao meu alcance eu faço para ajudar. O trade esportivo me trouxe muitos amigos, amigos que eu vou levar para o resto da vida.

Odds Scanner: Uma das coisas que tem chamado muito a atenção dos seus seguidores são os projetos na prática que você realiza e divide com eles. Conta, pra quem não sabe, como funcionam esses projetos e qual é o mais recente? 

Nettuno: Isso aí começou no Facebook, se não me engano, em 2015. De lá para cá, foram um monte. O que eu faço é o seguinte: eu pego um método específico, ou alguma forma de gerir banca, e coloco para a galera votar, como esse último do Over 0.5. Eu dei dez opções para a galera votar no Telegram e escolheram esse. E faço na prática: eu separo uma banca pequena e vou, literalmente, analisando… eu bolei um método matemático para escolher os jogos de Over 0.5, e lá vou botando o meu dinheiro em cima de uma gestão de banca, e a galera vai acompanhando o andamento daquilo. Alguns desses projetos deram super certo e outros deram super errado. Normalmente, o projeto em si, é muito mais um teste do que uma aplicação prática pós-projeto. Mas eu tive alguns que deram muito dinheiro depois, porque se transformaram em métodos. O meu último projeto, do Over 0.5, que eu inicie há duas semanas, está indo mais ou menos, mas me deu um estralo em um outro mercado que pode me dar dinheiro no futuro. Então, normalmente é assim. A gente não vai cavar o buraco e acertar o ouro, mas, às vezes, você cava o buraco e vê que ali tem um rastro de ouro. Quem sabe está mais pro lado. Então, esses projetos me auxiliaram muito mais nesse aspecto, e também tem um acompanhamento didático, que ajuda muitas pessoas, mesmo que dê errado. Eu recebo muita mensagem de pessoas que não fazem o projeto, mas entenderam como funciona o sistema – anotação,  onde deu red, onde deu green, tem toda uma visão dessa parte de planejar o trade. De uma forma geral, ajuda. 

Odds Scanner: Você também possui um outro canal, que se chama “Te Liga Magrão”, onde você fala sobre educação financeira, sucesso, entre outros – questões totalmente relacionadas ao trade esportivo. Conta pra gente da onde surgiu essa ideia?

Nettuno: As pessoas, às vezes, me pedem para fazer vídeos sobre outros assuntos, mas eu prefiro falar somente sobre trade no meu canal principal do YouTube. No meu entendimento, não dá pra colocar um vídeo sobre economia lá. É o mesmo que você fazer um canal de culinária, mas ficar falando de decoração, isso não dá certo. Então, eu criei um outro canal onde eu falo, principalmente, sobre economia, trazendo muitas das questões que a galera me pede. Eu preferi fazer esse outro canal para as coisas não ficarem misturadas, e ficou bem bacana. A recepção do pessoal tem sido bem legal. E eu gosto porque ele é bem pequeno. O meu canal principal, comparado com outros gigantes do YouTube, também é pequeno, mas para mim ele é enorme – tem 180 mil inscritos. Eu moro em um local onde tem apenas 800 habitantes, e o meu canal tem 180 mil inscritos, para mim é quase uma utopia. E agora eu pude começar esse outro canal do zero, estou empolgado com o projeto, mas lá vou enviar apenas um vídeo por semana para não atrapalhar meu canal principal, meu core business, que é o trade esportivo. 

Odds Scanner: Vamos falar um pouco sobre o mercado no Brasil. Para você, quais são as principais dificuldades de atuar nesse setor por aqui: regulamentação, o preconceito sobre o assunto, a propaganda enganosa?

Nettuno: O maior problema, para mim, é a propaganda enganosa. Disparado. Principalmente no Instagram e YouTube. É muita propaganda que ilude demais as pessoas, que depois quebram a cara. Mas não tem como proibir a propaganda, é muito difícil. Talvez a regulamentação pudesse barrar isso. Mas a regulamentação, mesmo que ela esteja caminhando, é um assunto de quase 15 anos. Sempre parece que vai sair, mas vira ano e não sai. A regulamentação depende de um cenário político, e política no Brasil a gente sabe como é. Atualmente, vimos um senador envolvido com grupos de cassino, querendo mexer na lei. Sempre tem um interesse por trás. É uma situação bastante delicada. Eu espero que a regulamentação venha, um dia, para nos ajudar, não para nos prejudicar. Mas eu duvido… Se eu tivesse o poder de escolher, eu deixaria tudo como está, porque talvez a regulamentação venha para prejudicar o apostador. Isso é apenas um chute, tomara que não. Tomara que ela venha para beneficiar, mas como depende de um cenário político e as pessoas que fazem as leis não sabem de absolutamente nada… Eu estou acompanhando muito de perto, e as pessoas que fazem as leis, infelizmente, elas não vivem o dia-a-dia. Então, nos resta aguardar para ver o que vai acontecer e depois reagir.

Odds Scanner: Falando ainda sobre as dificuldades, eu queria que você contasse pra gente uma história que você contou uma vez no seu Instagram e que me marcou muito: Quando você foi matricular seu filho na escola, perguntaram a sua profissão, e ela não estava na lista do computador. Conta pra gente? E eu queria aproveitar o gancho para perguntar: Você acha que o trade esportivo é uma profissão que, em breve, vai ser reconhecida como qualquer outra? Ou ainda tem um longo caminho pela frente? 

Nettuno: Eu acho que ainda temos um longo caminho a ser percorrido. Na Inglaterra, existe o profissional gambler, existe essa profissão lá. Mas, para mim, no cenário atual de apostas do Brasil, que é muito mais de marketing enganoso, de zero educação… Onde você encontra educação sobre apostas esportivas? Ou educação financeira? Você só encontra no YouTube. Eu sou de 1982. Quando eu estudava na escola, eu não tive nenhuma aula de educação financeira. Então, é uma questão que não é só das apostas, é muito mais amplo de conhecimento como um todo. Porque, todos os dias, vemos golpes, não só nas apostas, mas também com as criptomoedas, trade em bolsa de valores, por exemplo. E temos tantos golpes assim no Brasil porque as pessoas que são enganadas não tem o conhecimento, discernimento de quando um rendimento pode render, do que é possível fazer. Eu acredito que deveria, primeiro, ser feita uma base de educação financeira, para depois ter outras questões dos trades ser reconhecidos ali dentro. Grande parte da população não está preparada para fazer trade, nem nas bolsas de valores, então talvez seja uma coisa muito mais do sistema todo, de educação do país, do que uma atividade específica ser regulamentada. Ia ser muito legal, tomara se for, mas não acredito que será. Sobre a história do meu filho, eu fui fazer a matrícula dele na secretaria da escola. Me perguntaram a minha profissão, eu respondi: “Trader esportivo”. Eles procuraram no sistema e disseram que não tinha essa opção. Falei para tentar “Apostador profissional”, e também não tinha. Então, eu falei pra tentar “YouTuber”, e tinha. E daí ficou YouTuber.

Odds Scanner: Você preza muito o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Como você lida com esse desafio? Era mais difícil no início? E, hoje em dia, você consegue ver jogos de futebol por lazer?

Nettuno: Não, não consigo. Apenas quando estou no estádio, ali consigo dar uma desligada. Mas, quando eu estou vendo jogo de futebol em casa, eu analiso a partida, quase que de maneira automática. Isso é uma coisa muito natural pra mim hoje em dia. Mesmo que eu não vá operar no jogo, é quase que automático eu fazer a associação com o trade esportivo. Eu tenho dois filhos: um de três anos e outro de oito. E eles exigem, querem brincar com o pai e tudo mais. E, às vezes, tem um jogo rolando, então fazer essa divisão é muito difícil. Sábado, por exemplo, eu acho que fiquei dez horas operando. Os meninos, às vezes, querem sair, a gente sai, bate uma bolinha, depois eu volto e termino de operar. Domingo, por exemplo, eu fiquei o dia todo com eles, levei os meninos pra pescar e depois jogamos Fortnite, um monte de coisa. Porque, senão, eu vou perder uma parte da vida que nunca mais vai voltar. Hoje, a minha função principal na vida é ser pai, mas eu não posso abandonar tudo para ser pai, tem que trabalhar, tudo tem que ter equilíbrio. Quando eu não estou no trade, eu estou com eles, o meu foco hoje é dar atenção para os meus filhos. Eu faço isso porque, daqui a pouco, eles entram na puberdade, começam a namorar e isso tudo acaba. Pode ser que eles vão morar longe também, então é tudo uma fase. E eu acho que uma das grandes coisas é entender onde você está na vida agora. Daqui a pouco, isso tudo vai acabar e eu posso operar 24 horas em milhares de jogos, mas nesse momento eu tento equilibrar as coisas, e é um equilíbrio delicado de se encontrar. O que eu não posso fazer é operar, tomar um red e descontar nos filhos. Se você está com os filhos em volta e não consegue se concentrar, tem que pausar o trade. Melhor ir e dar atenção para eles. Trade tem todos os dias, é um ciclo que não para nunca. Se você não consegue lidar com isso, para o trade e vai dar atenção aos filhos. Depois você volta e opera com tranquilidade, porque não tem nada pior do que estar operando com assuntos externos te pressionando.  

Odds Scanner: Hoje, olhando para trás, do que você sente mais orgulho na sua trajetória? 

Nettuno: Que pergunta boa! O meu maior orgulho é das pessoas que aprenderam comigo a fazer trade e que hoje ganham dinheiro. Porque eu não ensinei ninguém, a galera é que aprendeu junto comigo. É isso disparado, sem sombra de dúvidas! É muito legal ver a galera que venceu na vida através do trade, aquele cara que simplesmente paga a conta do fim do mês… esse é disparado o meu maior orgulho hoje no trade, de longe.

Odds Scanner: E você pretende seguir como trader esportivo, operando por muito mais tempo?

Nettuno: Eu acho que eu nunca vou parar de fazer trade. Muito difícil. Eu me vejo com 80 anos operando. Não consigo me imaginar hoje sem fazer trade. Talvez, no futuro, eu opere menos, fazendo operações mais específicas. Como, por exemplo, fazer uma superespecialização – isso é uma ideia que eu já tive há muito tempo, mas nunca consegui colocar em prática –, de pegar apenas alguns clubes, como o Liverpool e o Milan, e operar todos os jogos desses times. E acompanhar tudo desses times; saber aonde os jogadores desses clubes foram jantar, por exemplo. Eu penso em buscar esse tipo de especialização, isso é algo que eu gostaria de fazer ainda. Talvez, depois que eu parar com a produção de conteúdo, eu possa tentar fazer isso.

Odds Scanner: Para finalizar, o que você espera das próximas gerações de traders esportivos no Brasil, pensando em todo esse legado que você está deixando?

Nettuno: Eu espero que eles não quebrem tanto a banca como as gerações passadas quebraram! Eu não sei se todo esse conteúdo produzido vai ajudar. Mas, se for para esperar alguma coisa, seria isso. Que a galera consiga levar o trade de uma maneira mais consciente, essa seria uma coisa boa.