Entrevista com Guilherme Delpino – “Quando eu entendi que existe um viés matemático, que as odds não estão ali por acaso, eu consegui mudar a chave”

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Redator:
Odds Scanner
Publicado em:
25/11/2021
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Guilherme Delpino é um dos apostadores esportivos de sucesso mais jovens do país. Aos 28 anos, ele já faturou o primeiro milhão com as apostas em futebol, abriu a própria empresa no ramo, e conta com mais de 160 mil inscritos no seu canal do YouTube, onde produz vídeos diários com palpites de apostas nos mais diversos jogos pelo mundo. Há pelo menos sete anos atuando como punter profissional, ele enfatiza a importância de entender a matemática por trás de cada probabilidade, para encontrar as odds de valor e se tornar um apostador lucrativo. Delpino também ressalta a necessidade de uma boa análise de jogos e equipes na hora de fazer uma bet, ao invés de cair na ilusão de que a paixão pelo esporte já bastaria para ganhar dinheiro no ramo. “Não adianta focar só no lado do amor ao futebol e esquecer a análise”, destaca. Para ele, o objetivo de um apostador é conseguir dar o mesmo peso emocional para um green e para um red. Meta, essa, que ele mesmo admite ser desafiadora, mas afirma que, com o tempo, é possível chegar lá. Esses e muitos outros assuntos sobre o universo das apostas esportivas você confere na entrevista exclusiva que Guilherme Delpino concedeu ao Odds Scanner. Veja no vídeo abaixo:

Odds Scanner: Para começar, você pode nos contar sobre o seu escritório novo? É daí que são produzidos todos os produtos e serviços que você oferece – vídeos no YouTube, Robocopy, curso, consultoria… Parabéns por essa nova conquista! Como estão as coisas por aí?

Guilherme Delpino: Eu acho legal contar um pouquinho dessa história. Lá no começo, eu era servidor público. E teve um momento na minha vida que eu decidi pedir exoneração do meu cargo para me dedicar exclusivamente às apostas, porque eu já vinha de um viés lucrativo. Mas era eu produzindo conteúdo para mim mesmo, eu aprendia por conta própria. Eu não tinha pretensões de divulgar o conteúdo, nunca pensei em Instagram, YouTube, nada disso. E eu lembro que os meus primeiros vídeos, depois que meus amigos começaram a me incentivar a divulgar os conteúdos, disseram para eu fazer um Instagram para ajudar a galera também… Quando eu comecei o Instagram, eu tinha só um celular que mal gravava vídeo direito. Então, o que eu fiz: eu usava aqueles panos verdes (chroma key) porque eu não tinha cenário. Eu usava aquilo para bolar alguma coisa. E era um quartinho bem pequeno. Hoje, depois de muita dedicação, trabalhando forte e entregando bons resultados, nós conseguimos ter o nosso próprio estúdio de gravação, que é bem legal, e a minha empresa ainda mais consolidada. O escritório, hoje, está muito legal. Eu montei ele voltado para as coisas que um apostador precisa; tem uma área de descompressão, para esvaziar a cabeça, tem a área do staff, que é a parte de inteligência do negócio. O escritório ficou sensacional mesmo!

Odds Scanner: Vamos falar mais sobre a sua trajetória. Você conta que começou a trabalhar desde cedo; foi vendedor de colchões, passou por restaurante, abriu negócio e faliu… até que conheceu as apostas. E você sempre levou o assunto muito a sério. Em algum momento você achou que se profissionalizar nas apostas seria algo inatingível?

Guilherme Delpino: Teve um momento que eu achei, sim. E, nesse momento, eu ainda estava no serviço público. Além de trabalhar, eu ainda tentava me especializar nas apostas, foi tudo mais ou menos ao mesmo tempo. Nesse período, eu não conseguia passar para a parte lucrativa, dos 5% vencedores. Os meus ciclos sempre terminavam em red e eu não entendia o porquê. Eu não conseguia achar o valor das probabilidades, e fiquei um bom tempo trabalhando só com red. Depois, o red começou a ficar menor, aí eu consegui chegar no break even – que é o famoso empate, ou ”0 a 0”. Foi um processo que, quando eu vejo as minhas planilhas antigas, que eu tenho até hoje, eu consigo ver a minha evolução. De muito red, para pouco red, para break even, para depois, enfim, me tornar lucrativo. Quando eu me tornei lucrativo, decidi abandonar o serviço público e viver das apostas. Então, teve, sim, um momento que eu parei e pensei: “Eu não vou conseguir extrair valor desse mercado”. E, nessa época, não tinha muitos influencers ainda, não tinha onde buscar muito conteúdo. Era tudo na base da tentativa e do erro. Até eu descobrir o porquê de ter tomado um red, era uma série de detalhes que eu mesmo investigava por conta própria. Hoje, a galera tem uma série de benefícios, tem muita gente produzindo conteúdo por aí. Tem alguns absurdos, mas tem muito conteúdo bom também, e a galera já consegue cortar um caminho gigante. Então, teve um momento que eu achei que isso tudo era um jogo de azar, que eu não ia conseguir ganhar dinheiro com isso. Depois de muita insistência, eu consegui virar a chave e passar para a parte vencedora do negócio.

Odds Scanner: E o que você acha que te tornou esse apostador de sucesso? O que você considera essencial para qualquer um que queira suceder nas apostas?

Guilherme Delpino: Eu lembro que, no meu começo, eu trabalhava muito em cima de achismos. Eu pensava: ”Vai ter um jogo do Manchester City enfrentando o Blackburn na Premier League. Se o City vai jogar em casa, lutando contra um time e brigando pra não cair, então o City vai ganhar esse jogo. A odd está pagando 1.15 mas, para mim, é uma odd de valor. O City vai ganhar.” Eu trabalhava muito em cima desses meus achismos, de acordo com o que eu entendia de futebol. Teve um momento que eu vi que existia um viés matemático e estatístico em cima disso. Nós, assim como os oddmakers das casas de apostas, conseguimos calcular a probabilidade de um jogo entre um time A e um time B vencer. Existe uma taxa de acerto, uma precificação, uma linha justa, um fairline. Quando a gente entende o que está por trás de uma odd, que não é simplesmente o seu achismo… por trás desse achismo existe uma série de detalhes e nuances que a gente precisa entender. O momento que eu entendi que existe um viés matemático, que as odds não estão ali por acaso, eu consegui mudar a chave. Eu sempre cito o exemplo de uma moeda: se a gente jogar uma moeda pra cima mil vezes e disputar cara ou coroa a noite inteira, cada um apostando R$ 50, muito provavelmente cada um vai sair da disputa com os seus 50 do início, porque a gente está trabalhando em cima da estatística. Agora, se eu te falar que você pode ganhar R$ 60 se cair cara pra você e, se cair coroa, você me dá R$ 40, isso quer dizer que você tem a mesma chance do que eu, mas o seu valor é diferente: você está do lado do +EV. Então, se a gente fizer a mesma coisa durante toda a noite, você vai sair com lucro em relação a mim. Quando eu consegui entender isso e precificar, foi quando entrei em um viés lucrativo nas apostas esportivas.

Odds Scanner: Muita gente acha que vai se dar bem nas apostas só porque ama futebol. Mas você já disse que a pessoa não precisa, necessariamente, gostar do esporte para ter sucesso no ramo, que o mais importante é entender a matemática por trás. Por que você acha que as pessoas ainda têm tanta dificuldade em enxergar todo o estudo e trabalho que envolvem as apostas? Afinal, o amor pelo esporte não é suficiente?

Guilherme Delpino: Exatamente. Eu tenho alguns amigos apostadores-amadores, pessoas que já tem os seus empregos e realmente não querem ganhar dinheiro com isso. São pessoas que querem apenas uma diversão, e eu entendo também esse lado. Essas pessoas, quando me falam que vão apostar em um jogo de futebol, dizem que vão apostar na equipe favorita, que está lutando pelo título contra um time que está na zona de rebaixamento e pronto. Mas, quando essas mesmas pessoas vão apostar em uma partida de tênis, por exemplo, fazem toda uma análise do esporte, olham se um jogador está vindo de lesão, como foram suas últimas partidas e tudo mais. Ou seja, uma análise muito mais profunda do que no futebol. E por quê? Porque a gente é apaixonado por futebol, já está no sangue, a gente acha que já nasce sabendo e que não precisa estudar os times. Mas, quando a gente pega outro esporte, sente a necessidade de estudar mais sobre aquilo e se dedica mais. No futebol, que a pessoa vê todos os dias, acha que sabe tudo e esquece dos vários fatores que existem ali e que também precisam ser estudados. Eu, por exemplo, tenho amigas que nem gostam de futebol, mas que são lucrativas nas apostas nesse esporte. Isso porque elas incorporaram o lado da precificação, da análise fria, calculista, e esqueceram a análise sentimental do negócio. Então, elas conseguem extrair muito mais lucro. É claro que o ideal é conhecer os times e saber tudo de futebol, e unir isso à precificação. Mas o mais importante, realmente, é a precificação do que esse amor ao futebol. O ideal é andar com os dois juntos ou, pele menos, andar só com o lado matemático do negócio.

Odds Scanner: A minha próxima pergunta era justamente sobre a necessidade de conhecer as equipes em que se está apostando. Então, como você acabou de falar, unir o conhecimento sobre os times ao estudo matemático seria o cenário ideal, correto?

Guilherme Delpino: O ideal, realmente, é você gostar do que faz. É assistir uma partida de futebol com prazer. Porque, quando você tem prazer naquilo que você faz, você acaba, involuntariamente, captando um monte de informações. Eu, por exemplo, aqui no meu escritório, deixo a TV o dia inteiro ligada em canais de futebol, para pegar informações. Ao fazer isso, que é algo que eu gosto muito, eu uno essas informações à uma análise fria. Não adianta focar só no lado do amor pelo futebol e esquecer a análise. Essas duas coisas têm que andar sempre juntas uma do lado do outra.

Odds Scanner: Vamos falar sobre as casas de apostas. Conta pra gente quais você mais usa e o que você sugere para seus seguidores e alunos?

Guilherme Delpino: Uma das casas de apostas, inclusive, é a minha patrocinadora e eu tenho o maior orgulho de falar disso. Porque, lá no começo, eu já usava essa casa de apostas, já trabalhava com ela e sempre me dei bem. Vou ser sincero com você: eu recebo propostas de parcerias com casas de apostas todos os dias, pelo menos três ou quatro por dia. Mas, quando veio essa oferta da Betmotion, que nem foi a melhor oferta, mas me agradou porque a Betmotion é uma casa de apostas muito boa e eu uso ela há muito tempo. Eu sempre a recomendo para os meus alunos e digo que é uma casa muito boa e que tem ótimas probabilidades. Mas também tem a Bet365, uma casa de apostas que se intitula como amadora e não-profissional. Ela é uma casa de apostas excelente para aprendizado, tem um layout muito prático, que não é poluído, e os nomes dos mercados são fáceis. Para quem está começando, a Bet365 é uma opção legal. Depois que se especializar mais um pouco, talvez seja bom migrar para a Betmotion, que tem melhores odds, algumas facilidades a mais que a Bet365. Mas, para quem está ingressando no mercado agora, eu recomendo a Bet365 como uma opção muito legal, até a pessoa aprender a extrair dinheiro, etc. Eu mesmo, no início, quando estava aprendendo a fazer apostas, utilizei muito a Bet365, e aprendi tudo no site deles. Então, eu a recomendo para iniciantes.

Odds Scanner: Em termos de mercados, um que você se especializou é o mercado de escanteios. Você diz que ele é muito bom para iniciantes, além de ser lucrativo. Conta pra gente quais as características desse mercado, e por que você gosta de trabalhar com ele?

Guilherme Delpino: Quando a gente começa a falar de precificação e matemática, a gente vai entrar em um assunto que é o win rate, a taxa de acerto. O volume mínimo pra você descobrir a sua taxa de acerto são 250 apostas. Quando você pega esse número de apostas no mercado de gols, por exemplo, em um mesmo padrão, você acaba demorando muito para volumar, porque não são todos os jogos que tem o mesmo padrão. Então, no mercado de gols, fica mais difícil de precificar e saber o seu win rate. No mercado de cantos é mais fácil achar um padrão. Se você trabalhar esse mercado só no over limite, por exemplo, quando abrir a linha no 86 a 88 minutos, o time da casa estiver perdendo, e cada uma das equipes ter tido, pelo menos, dois escanteios em cada intervalo de jogo… Pronto, você já tem um padrão. Vários jogos tem esse mesmo padrão e você consegue volumar mais fácil, e consegue, consequentemente, descobrir o seu win rate e traçar uma precificação mais fácil do que nos outros mercados. Então, eu considero o mercado de cantos um dos melhores para iniciantes, porque você consegue precificar esse mercado mais fácil do que outros. Isso ao meu ver, claro.

Odds Scanner: Seguindo no mercado de cantos, você diz que o ideal é operar ao vivo, e não pré-live, como no caso dos seus vídeos de prognósticos no YouTube. Explica pra gente essa diferença, e quais você considera os fatores propícios para entrar nesse mercado e o melhor momento?

Guilherme Delpino: Hoje eu trabalho com dois cenários em escanteios: no pré-live e no ao vivo. Eu faço 90% das minhas apostas no ao vivo e 10% no pré-live, que eu acho mais difícil. Eu só faço o pré-live em ocasiões especiais, como foi o jogo da Itália de ontem, por exemplo, que era um jogo que estava claro que ia ter muitos escanteios. Inclusive, eu comentei isso aqui com o pessoal do escritório: “Esse jogo está ‘dado’ para escanteios”. Eu passei essa informação pro pessoal da consultoria também, porque a Itália precisava ir pra cima da Irlanda e precisava jogar bem. Por conta disso, a gente achou um viés de lucro nesse tipo de aposta. Mas eu recomendo muito mais trabalhar ao vivo no mercado de escanteios, porque, às vezes, a gente consegue se antecipar à leitura das casas de apostas. Por exemplo, vamos supor que o jogo está no minuto 37 e teve uma lesão, e o jogador ficou três minutos caído no chão. As casas de apostas não conseguem fazer a leitura de que o árbitro vai dar esses três minutos de acréscimo no final da partida. Então, a gente já sabe que vai ter esses três minutos a mais no jogo devido à lesão. Ou, de repente, teve um pênalti, teve VAR… E a gente viu que terão, pelo menos, uns cinco minutos de acréscimo no jogo e, às vezes, as casas de apostas não sabem disso. Ou seja: a gente consegue comprar o over limite de escanteios, ali no minuto 40, sabendo que o jogo pode ir até os 50 minutos e as casas de apostas não sabem disso. Tanto que acontece inúmeras vezes de eu comprar uma probabilidade a 1.80 no over limite e, quando o árbitro dá o tempo de acréscimo, a casa de apostas já está me pagando um cash out muito bom, porque ela não esperava que ia ter tanto tempo de acréscimo assim. Então, quando trabalhamos ao vivo, conseguimos extrair informações que as casas de apostas ainda não têm. É claro que, ao passar do tempo, essas informações estão chegando um pouco mais para as casas de apostas, eu já consigo perceber isso. Vai ficar um pouco mais difícil trabalhar com o mercado de escanteios daqui pra frente, mas ainda é possível extrair muito valor desse mercado. Só no último mês e nesse mês de agora, pra você ter uma ideia – eu nem gosto de falar em um green grande, porque as pessoas acham que é sempre assim –, mas a gente fez 52% de lucro em cima da banca de mercado de escanteios, e trabalhando com uma gestão bem conservadora, sem fazer loucura. Então, ainda dá pra aproveitar muito do mercado de escanteios.

Odds Scanner: Apesar de você ter seus mercados favoritos, você diz que muita gente te pergunta qual melhor mercado para operar. As casas de apostas oferecem centenas de opções. Quais ciladas você alerta seu público para não cair? Que tipos de mercados definitivamente não valem a pena, e como ter esse discernimento?

Guilherme Delpino: Essa pergunta é um pouco delicada de responder nos dias de hoje. Isso porque, hoje em dia, tem gente que faz apostas de tudo quanto é tipo. Esses dias mesmo eu conversei com um cara que faz planilhas dos jogadores que mais fazem gols de cabeça. Então, é complicado dizer o que dá e o que não dá certo nos dias de hoje. Mas existe uma coisa que a gente chama de liquidez, que é o que o mercado aguenta. Quando a gente trabalha nos principais mercados, como o de escanteio, de gols, handicap asiático, que são linhas principais de um jogo, você pode colocar dinheiro nesses mercados e eles aguentam. Tem muita gente trabalhando neles, eles têm liquidez suficiente pra aguentar altos investimentos. E, pra gente que trabalha com isso, a liquidez importa muito. Por exemplo, o mercado de gols de cabeça, ao acompanhar as planihas dessa pessoa, ela me disse que, às vezes, bota uma stake de R$ 60 e já vê a odd descendo. Isso quer dizer que a liquidez é baixíssima. Então, para um apostador que vive das apostas, que quer ter high stakes, ele precisa trabalhar nos mercados de alta liquidez. Porque, se ele trabalhar só nos mercados de baixa liquidez, uma hora ele vai precisar abandonar todos os métodos dele. A não ser que ele fique trabalhando sempre com aquelas stakes pequenas. Mercados bons, ao meu ver, são os principais e que oferecem alta liquidez. Ao entrar no site da Betfair, por exemplo, você consegue ver liquidez de milhões de reais em um jogo principal. Mas mercados secundários eu acho delicado. Dá para ser lucrativo nos mercados secundários? Dá, mas você vai estar sempre restrito a questões de liquidez, que foi o que aconteceu com os jogos virtuais. Quando as bets chegaram nos mercados virtuais durante a pandemia, as odds estavam lá em cima e o pessoal, no início, fazia fortuna com as apostas nesses jogos. Mas logo isso acabou, porque não tinha liquidez suficiente para aguentar aquilo tudo. É por isso que eu gosto sempre de trabalhar com mercados profissionais.

Odds Scanner: Outra coisa que você também enfatiza que deve ser evitado são as múltiplas. Por quê? Tem algum momento que você acha que vale a pena fazer uma múltipla?

Guilherme Delpino: Quando a gente precifica um jogo, para uma aposta simples, eu demoro cerca de 40 minutos, em média. Eu pego o jogo, estudo os times, as escalações, momento das equipes, média de gols marcados e sofridos e onde será a partida, se determinado time vai jogar em casa ou fora. Eu analiso uma série de coisas, e isso demanda um tempo de cerca de 40 minutos para mim. E, às vezes, depois de toda a análise, eu chego na conclusão de que aquele jogo não vale nada, que eu perdi esse tempo e que não vale a pena apostar nesse jogo. Quando a gente faz uma dupla ou uma tripla, a gente precisa estudar esses jogos duas ou três vezes mais, analisar tudo e depois tentar precificá-lo. Eu fiz um cálculo no YouTube sobre isso e, quando você faz uma tripla, acaba ficando cinco vezes mais difícil de acertar aquela probabilidade. E as casas de apostas adoram as múltiplas que você faz e que fica por um jogo. Porque, quando você fica por um jogo, você fica com o seu subconsciente pensando em tentar de novo na aposta seguinte, e as casas adoram esse ”quase” que fica na mente do apostador. Aí, você acaba entrando num looping infinito de tentativas. Às vezes, você até acerta, e acaba fazendo tudo de novo, e não tem como ser lucrativo. Eu já tentei fazer isso e eu nunca, durante todos esses anos como apostador, conheci um apostador lucrativo, um profissional, que trabalha com gestão… que consiga trabalhar com múltiplas. Mas, por conta disso, uma pessoa não deve fazer múltiplas? Não é bem assim. Existe o que a gente chama de fun bet, que é uma banca para brincadeiras, que a gente faz apenas para relaxar e botar aquele ”troquinho do pão”, e eu faço isso direto. Eu, esses dias mesmo, aqui no escritório, acertei – mas eu nem divulguei, porque, se a gente divulga isso e acerta, as pessoas podem achar que é sempre assim que vai acontecer, e não é assim que as coisas acontecem. Então, eu não recomendo as múltiplas; primeiro, pela dificuldade e, segundo, pelo vício que esse ”quase” gera. Isso gera na gente uma compulsividade, uma ansiedade, é muito delicado. E, quando você faz as múltiplas, você não consegue fazê-la no mesmo horário, os jogos são em horários distintos, então você passa o dia inteiro com aquilo na cabeça. Eu não me dei bem com múltiplas, não conheço quem se dá e não recomendo justamente por não ter um viés matemático. Quando você faz uma mútipla, você faz por achismo. Eu realmente não recomendo as múltiplas para quem me assiste.

Odds Scanner: Como é o seu modo de operar? Você arrisca novos mercados e estratégias? Como é o seu desenvolvimento como apostador?

Guilherme Delpino: O que eu faço hoje é dividir o meu tempo em duas partes. A primeira parte é para seguir o padrão que eu sempre sigo. Eu geralmente faço isso pela manhã, porque eu trabalho muito em pré-live no mercado de gols, apenas no de cantos que eu trabalho ao vivo. Então, pela manhã, eu sigo a rotina de precificar meus jogos, fazer as bets e entrar no mercado. Na parte da tarde, eu tiro o tempo para fazer minhas apostas ao vivo no mercado de escanteios e também para estudar sobre outros mercados, tentar achar boas linhas em mercados que eu não conheço. Está chegando muito até mim pessoas que estão conseguindo ser lucrativas no mercado de cartões, que é um mercado que vem crescendo bastante. Há um tempo, muita gente já se dizia lucrativa no mercado de cartões. Mas, quando eu pesquisava, não tinha um site informativo sobre cartões – falando, mais ou menos, quanto cada árbitro costumava dar de cartões por partida, se ele foi agressivo ou se é um árbitro de conversa. Então, eu pensava: “Como que as pessoas trabalham em um mercado que é super difícil de encontrar informações sobre?” Por isso, eu sempre deixei isso de lado e me desinteressei. Mas, hoje, esse mercado já tem informações. Inclusive, eu já estou fazendo uma planilha sobre o mercado de cartões, que é um mercado que está com cada vez mais liquidez e, possivelmente, vai se tornar um mercado interessante. Então, eu divido meu tempo nessas duas partes: uma para seguir o padrão que dá certo, e a outra para tentar criar novos padrões para o futuro. Eu faço isso porque os padrões mudam; o que dá certo hoje, amanhã você precisa ajustar. Você percebe que aquela odd que antes abria em 1.70 hoje está abrindo em 1.65, ou seja, estão começando a desvalorizar. O mercado está começando a precificar de uma forma injusta aquilo para você, e você começa a ajustar. Às vezes, você precisa realmente abandonar um mercado. Eu já tive estratégias que joguei no lixo e parei de usar porque pararam de dar resultado. Então, eu tenho que trazer outras estratégias que eu consegui validar pra repor as minhas “filiais”, como a gente chama por aqui.

Odds Scanner: Tem um assunto que você levantou recentemente nos seus posts, que é sobre o “juice” das casas de apostas. Explica pra gente o que é isso, e o que o apostador precisa ficar de olho na hora de fazer sua análise e comparar suas odds com as das casas? No fim das contas, as casas de apostas sempre levam vantagem em cima do apostador?

Guilherme Delpino: O “juice” é uma margem da casa de apostas. Por exemplo, se eu pegar uma moeda e eu e você disputarmos um cara ou coroa, a chance é de 50% pra cada um. Em uma casa de apostas, a odd deveria estar 2 para o cara e 2 para o coroa, porque a chance de 50% representa uma odd de 2.0. Mas o que as casas de apostas fazem: elas não te pagam 2, elas te pagam 1.95 ou 1.90, pra sempre dar uma ”mordidinha”, independente se eu ou você vencer, as casas sempre vão ganhar, porque elas têm essa margem chamada de ”juice”. Mas, se ela tem essa margem, então ela sempre vai vencer? Não. Suponha que a casa de apostas está pagando 1.95 para cair cara e 1.95 para cair coroa. Em situação regular, essa odd não tem valor, o valor justo seria 2 e uma odd de valor seria acima de 2. Mas suponha que a odd está 1.95. Porém, essa moeda tem uma leve tendência de cair mais no cara do que na coroa, e isso no futebol acontece muito. Então, a cotação está pagando 1.95 para cara, porém eu tenho valor, porque eu tenho em cima dela uma chance maior do que o mercado está esperando. Então, tem jeito, sim, de ser lucrativo mesmo que as casas de apostas estejam sempre com esse ”juice”, com essa margem acima do apostador. Na verdade, é um jogo de oddmakers, como eu ensino pra galera, a gente tem que ser um oddmaker, que é aquele cara que faz as probabilidades, aquele que disponibiliza as cotações na casa de apostas, e a gente também tem que ser um oddmaker do outro lado para comparar se a cotação que o oddmaker da casa disponibilizou é igual a minha ou se a minha está sendo melhor do que a dele. Isso tudo é um jogo de oddmakers, um jogo de quem precifica melhor o jogo. Tem, sim, como ser lucrativo mesmo com esse ”juice” das casa de apostas.

Odds Scanner: Vamos falar sobre os seus produtos e serviços. Um dos destaques é o Robocopy, que é basicamente uma réplica das entradas que você faz na conta de outras pessoas. Conta pra gente mais sobre isso. Não rola uma pressão muito grande em lidar com o dinheiro dos outros?

Guilherme Delpino: Muitos clientes já me ligaram e tentaram me achar de tudo que é forma para dizer assim: “Guilherme, eu tenho R$ 100 mil parados, trabalha esse dinheiro para mim e me dá o lucro que eu quero investir com apostas, eu só não sei ser lucrativo.” Amigos pessoais me pedem para trabalhar com o dinheiro deles. Só que esse lance de captar recursos de terceiros, juridicamente, é uma burocracia gigante no Brasil, e eu também não quero mexer com o dinheiro dos outros, não quero essa responsabilidade para mim. A melhor forma de eu conseguir intermediar essa galera que quer investir e não tem tempo para isso, e eu não captar o dinheiro deles mas conseguir ajudá-los, foi no Robocopy. Porque lá a galera coloca o dinheiro na banca e saca quando quer, não tem esse lance de você investir em uma empresa e só sacar no dia tal. Aqui, a galera pode parar quando tiver lucro e sacar o dinheiro quando quiser. O cliente continua tendo total autonomia sobre o seu dinheiro. É por isso que o Robocopy é um dos projetos mais sensacionais que eu já criei, porque eu ajudo as pessoas e elas mantém total autonomia sobre o dinheiro delas. Eu considero que essa ferramenta que nós desenvolvemos aqui será, possivelmente, a única que eu tenha de trabalho, porque eu a considero sensacional, eu trabalho para as pessoas. Às vezes, clientes meus do Robocopy chegam no final de um dia de apostas e me falam que nem abriram as apostas durante todo o dia e lucraram. Ou seja, olha que legal isso, a pessoa simplesmente ganha dinheiro – e nem gosto de falar isso, porque parece marketing pesado –, mas é a verdade, elas ganham com o Robocopy sem fazer nada. Basta ligar o computador e deixar que a gente trabalhe aqui. Toda a equipe do escritório trabalha em prol desse cliente. Eu acho esse projeto sensacional e quero expandi-lo ainda mais para levar para o mundo inteiro futuramente.

Odds Scanner: Além do Robocopy, você também produz vídeos com palpites de apostas no YouTube, oferece o curso de formação de investidores em futebol, tem a consultoria… Tudo isso para quem quer estudar, se especializar. Conta mais pra gente sobre esses serviços, e como você acha que o seu material ajuda as pessoas a entrar no seleto grupo dos 5% vencedores.

Guilherme Delpino: Eu estou tentando abranger todos os tipos de públicos. Tem aquela galera que não consegue entrar no Robocopy, porque, por ter um sistema mais complexo, ele tem uma mensalidade mais cara. E tem aquela galera que tem uma banca de R$ 100 e a intenção é fazer aportes mensais na banca para que, de forma gradativa, ela cresça. E a forma que eu tenho para ajudar esse tipo de pessoa é no meu grupo “5% Vencedores”, que tem uma mensalidade de R$ 40, um preço muito mais acessível. O objetivo desse grupo é ajudar esse cara que tem uma banca pequena, está querendo crescer, e não tem condições, no momento, de comprar o Robocopy, por exemplo. Então, os 5% Vencedores, na verdade, foi o meu primeiro projeto voltado para ajudar realmente as pessoas. É claro que é muito complicado ajudar gratuitamente milhares de pessoas, isso demanda muito tempo, muito suporte pago e eu preciso manter o meu escritório. No começo, esse grupo era gratuito, mas hoje existe essa taxa. Então, esse projeto é voltado para essa galera que está em evolução, que quer conhecer como um apostador realmente trabalha. Depois, eu tenho o projeto do Robocopy, que a galera já tem um capital maior para investir. E agora eu vou trazer o projeto da “Academia de Tipsters”, que é para aquela galera que já é especialista, que já ganha dinheiro com as apostas e tem a intenção de também ser um tipster, e quer se expor nas redes sociais. Eu lembro que, quando eu comecei nas redes sociais, eu nunca tive a ajuda de ninguém, eu nunca fiz um post pago, tudo foi tráfego 100% orgânico. Hoje, com o conhecimento que eu tenho, eu teria feito diferente no começo. Quando a gente é tipster, tudo muda totalmente. Eu lembro nitidamente que, quando eu fazia as minhas apostas, cada uma delas tinha um peso. Hoje, cada aposta que eu faço tem um peso multiplicado por mais de dois mil, porque é o peso de cada cliente que eu tenho. Então, acaba que, psicologicamente, você precisa estar muito mais forte para ser tipster. É como se fosse uma escada: o cara começa no grupo dos 5%, passa para o Robocopy, e depois de aprender tudo sobre o ramo e virar lucrativo, ele pode passar para a “Academia de Tipsters”. É uma evolução que estou tentando buscar junto com todos os meus seguidores.

Odds Scanner: Junto com a profissão de apostador, tipster e empresário, veio também um segundo trabalho: o de professor, de comunicador, de YouTuber. Assim como outros produtores de conteúdo, eu vejo você falando com tanta naturalidade e de forma tão clara. Da onde vem todo esse talento?

Guilherme Delpino: Esse talento eu realmente não tinha. Teve uma época em que o YouTube, infelizmente, estava censurando conteúdos de apostas, e eu perdi o meu primeiro canal que tinha mais de 100 mil inscritos. Hoje, eu já teria 265 mil inscritos se não tivesse perdido o primeiro canal. Lá nesse canal, eu tinha todos os vídeos do meu início, e se você visse aqueles vídeos… A essência do que eu queria passar eu conseguia, mas era de uma forma extremamente tímida, eu olhava para a câmera e parecia que tinha duas mil pessoas me assistindo. Tinha um peso muito forte pra mim, os meus primeiros vídeos eram horríveis. Mas é claro que, como tudo na vida, ao praticar e se dedicar, a gente acaba se fortalecendo e entendendo melhor como funciona essa dinâmica. Eu não me considero ter nascido com esse dom de professor, mas eu consegui administrar a timidez e a vergonha de me expor, e também aprender a lidar com os haters que, no mundo das apostas, infelizmente, têm muitos. Eu observo os comentários, não somente os meus, mas de uma galera boa, de pessoas competentes e antigas nas apostas, e quando eu vejo os comentários eu vejo muita gente comentando coisas maldosas, criticando as apostas e coisas do tipo. Você conseguir lidar com isso é pesado, mas são barreiras que eu fui vencendo. Hoje, eu lido com tudo isso com muito mais naturalidade. Um vídeo que eu demorava duas horas para gravar antigamente, hoje eu não demoro nem cinco minutos às vezes. Hoje as coisas fluem muito melhor do que antes.

Odds Scanner: E entre os exemplos desse contato com os seus seguidores, você disse que recebeu esses dias mensagem de um que contou que aumentou a stake porque viu que você vinha em uma sequência de acertos, e bem naquela deu red. Te deixa chateado quando alguém não entende que sempre terão greens e reds pelo caminho?

Guilherme Delpino: Inclusive, o Robocopy também foi fundado para isso. Não é uma discriminação, de forma alguma, mas eu acho que, por causa dessa veia que pulsa no brasileiro sobre futebol, isso os torna muito compulsivos nas apostas. Vou te passar uma estatística que acho que nunca passei pra ninguém: Eu tenho vários alunos no Robocopy que são estrangeiros e, na conta deles do Robocopy, tem só as entradas que eu faço. Mas quando eu pego as entradas de brasileiros – a maioria – eu vejo que os caras não se aguentam e fazem outras entradas diferentes além das minhas, como múltiplas, por exemplo. Eu sempre peço pro pessoal deixar o Robocopy trabalhar por si só. Quando eu vejo essa galera gananciosa, que não consegue seguir a gestão, e eu bato na mesma tecla há anos… é a mesma coisa: gestão de banca, disciplina e metodologia. Eu falo disso há vários anos. E, mesmo assim, as pessoas que me acompanham há muito tempo ainda cometem erros primários, e isso acaba chateando a gente. Porque é um trabalho árduo que a gente faz, e a gente vê um cliente antigo nosso cometendo um erro primário. Isso chateia a gente porque parece que ninguém está aprendendo nada. Às vezes, eu acho que tinha que mudar os 5% vencedores pra 2% vencedores, porque parece que a galera está andando para trás. Obviamente, isso é quando a gente fita os olhos só nisso. Do outro lado, também tem uma galera aprendendo. Mas eu não sei por que a galera tem tanta dificuldade em conseguir entender, de sair das múltiplas, de ganhos fáceis, de evitar a forma milagrosa e partir para a forma profissional e consistente, com viés de longo prazo. A pessoa não consegue fazer isso e quer lucro pra ontem. Isso acaba chateando um pouco, mas também o trabalho segue firme e forte.

Odds Scanner: Seguindo no assunto de controle emocional, você já disse que o mercado de under, por exemplo, não funciona pra você, te deixa muito agoniado. É preciso ter esse autoconhecimento para conseguir operar com sucesso nas apostas esportivas?

Guilherme Delpino: O nervosismo nas apostas esportivas é inerente. Quando a gente coloca dinheiro em uma aposta, a gente acaba ficando nervoso com aquilo. Só que existem algumas formas de amenizar esse nervosismo. Por exemplo: o under gols, para mim, me deixa muito nervoso, porque existem várias chances de gol em um jogo e, quando você não quer que saia gols, acaba que você assiste o jogo o tempo todo sendo pressionado pelo fato de não querer que saia gols. E o gostoso no futebol, ao meu ver, é o gol. É você conseguir precificar jogos para que saiam gols. Então, quando a gente trabalha em under, abaixo de gols, fica um nervosismo muito grande. Tem gente que trabalha em under e é lucrativo, é um mercado de alta liquidez também. Mas, no meu caso, isso me deixa excessivamente nervoso. E, quando a gente bota em longo prazo, imagina: vou fazer mil apostas em under e serão mil apostas que eu vou ficar nervoso. Isso, em longo prazo, não faz bem. Já existe o nervosismo natural do mercado. Porém, a gente consegue amenizá-lo. Eu não trabalho em under gols a fim de amenizar esse nervosismo.

Odds Scanner: Mas abre o jogo aqui pra gente: você já sofreu muito com alguns reds que tomou pelo caminho?

Guilherme Delpino: Já! O objetivo de um apostador é conseguir dar o mesmo peso emocional para um green e para um red. É a gente tomar um red rindo e um green rindo também. Esse é objetivo de um apostador. Já teve vezes, aqui no escritório, que a gente tomou uma red de 4 ou 5 mil reais em uma aposta e isso não pesa. Às vezes, tem uma pessoa nova aqui que fica chocada com a perda, mas isso acaba sendo algo natural. Perder nas apostas esportivas é tão natural quanto ganhar. Então eu bato muito nessa tecla. Às vezes, eu vejo uma galera soltando fogos por ter acertado em uma aposta. Mas uma aposta, na carreira de um apostador profissional, não significa nada. É o que eu falo aqui com o pessoal no escritório: a gente tem que ficar feliz quando fecha um ciclo em green, porque esse ciclo representa um viés positivo de lucro. Significa que a gente está fazendo a coisa certa. Tudo bem soltar fogos, você está sendo positivo. Agora, acertar só uma aposta não quer dizer absolutamente nada. O objetivo é saber equilibrar. Se eu fico triste com reds hoje? Não mais. É claro que existe aquele red que te bota pra baixo. Esses dias, eu tomei um red em um jogo que o time estava ganhando de 2 a 0, eu estava a favor desse time, e ele sofreu o empate no minuto 83 pra frente. Esse red que vem no finalzinho, depois de você já estar contando com o green, acaba te jogando um pouco pra baixo. Isso acontece, mas logo passa. Não é algo que faça você se martirizar por tanto tempo. Então, tem uns reds que chocam um pouquinho mais, mas o objetivo é sempre conseguir equiparar um green a um red.

Odds Scanner: Vamos falar sobre o equilíbro entre vida pessoal e profissional. Temos jogos de futebol e possibilidades de apostas o tempo todo. Pra você, como tem sido o desafio de encontrar esse equilíbrio?

Guilherme Delpino: Esse equilíbrio é o que eu acho o mais legal na vida de um apostador. Inclusive, tem uma coisa que não é marketing barato, mas existe: um apostador tem liberdade geográfica e de tempo. Tem apostadores amigos meus que fazem apenas uma bet por dia e trabalham unicamente com apostas. Acaba que um apostador tem tempo hábil. Eu não estou tendo muito tempo nesses últimos dias porque eu estava estruturando a minha empresa física. E no meu caso, como eu também me exponho e tenho empresa, o tempo acaba sendo menor. Hoje, eu não consigo mais fazer apostas viajando. Às vezes, eu ia trabalhar de outro lugar no país; hoje, eu não faço mais isso. Porque eu tenho que lidar com os meus funcionários e tenho um escritório para tocar. Mas a galera que trabalha com apostas e não tem empresa, que não se expõe tanto, tem a liberdade de tempo. No começo, eu conseguia me dedicar às apostas e a uma série de outras coisas, como academia, por exemplo. Hoje, eu faço as mesmas coisas, mas não é com aquela intensidade toda, porque agora eu tenho que cumprir horário e regras. Então, para conciliar as coisas hoje é mais difícil, porque o meu trabalho me suga muito. Mas o apostador que trabalha por conta própria tem a maior liberdade do mundo de trabalhar quando quiser e ganhar o quanto quiser. Isso é algo que chamou a minha atenção em relação às apostas esportivas: o fato de a pessoa trabalhar da onde quiser, o tempo que quiser e ganhar o quanto sabe. Hoje, eu não tenho mais toda essa liberdade, mas ela realmente existe para o apostador que trabalha por conta própria.

Odds Scanner: O mercado de apostas no Brasil está em crescimento e tem gerado muito interesse. Você já tem, pelo menos, sete anos de experiência no ramo. Quais foram as principais mudanças que você acompanhou, e o que você acha que precisa melhorar para o mercado crescer de forma saudável?

Guilherme Delpino: As apostas esportivas no Brasil já são legais. Agora, nós estamos sofrendo um processo de regulamentação. Isso vai gerar uma mudança muito positiva ao meu ver. Mas essa mudança pode ser muito positiva ou muito negativa. Em Portugal, antigamente, as coisas eram iguais ao Brasil; todas as casas de apostas podiam entrar e tinha ampla concorrência, o que gera melhores odds para os apostadores. Então, as coisas eram melhores por lá. Acabou que o governo de lá quis morder uma parcela disso, que é o que o Brasil está querendo fazer. Só que o governo de Portugal fez uma unificação e, hoje, só existe a casa de apostas do governo de lá. Isso acaba virando uma loteria, pois o governo coloca a as odds que quer e não tem concorrência. Hoje lá é regulamentado, você pode apostar, mas tem apenas uma casa de apostas. Aqui no Brasil, está muito bom atualmente. Eu quero que seja regulamentado pelo fato de existirem muitos investidores grandes que querem investir forte nesse setor. Mas, pelo fato de a atividade não estar regulamentada, isso afasta um pouco esses investidores. Agora, Paulo Guedes, Ministro da Economia, está trabalhando em cima disso e a regulamentação das apostas, a princípio, tem o interesse do Governo Federal, de uma forma interessante, que não seja unificado. Então, eu acho que a regulamentação deve vir de forma muito sólida para o nosso país. Em 2020, nós tivemos uma receita total de dinheiro circulado no Brasil no valor de R$ 16 bilhões. Em 2021, só até a metade do ano, esse valor já duplicou. Então, o setor está crescendo muito e obrigando o governo a tomar uma posição perante as apostas esportivas. Eu acho que a gente está muito perto de uma regulamentação boa e que vai trazer muitos investidores e mais liquidez. Eu acredito que estamos muito mais perto de que isso aconteça do que de prejuízo para os apostadores. Os prejuízos podem existir? Podem. Inclusive, esse é um dos grandes medos que eu tenho, porque esse é um processo que pode acontecer. E um dos medos é de a regulamentação daqui ser igual à de Portugal. Aí teremos que usar VPN, uma série de ferramentas pra conseguir trabalhar do Brasil, mas acessando casas de apostas de outros países. Mas acho que estamos muito mais longe disso acontecer do que de ter uma regulamentação saudável.

Odds Scanner: Ano que vem tem Copa do Mundo. O que você acha que os apostadores devem ter em mente ao apostar em jogos da competição?

Guilherme Delpino: A Copa do Mundo e jogos de Eliminatórias – jogos de longo prazo – acabam tirando um pouco o nosso padrão. O Brasil que jogou na Copa passada não é o mesmo Brasil de agora. E isso muda muito. O Brasil que a gente conhece está mudando muito. É uma seleção que, infelizmente, parece que vem se prejudicando com o passar do tempo. A Itália, que também é uma grande seleção, está correndo o risco de não ir para a Copa. Então, o processo é muito longo, o tempo é muito longo de um jogo para outro. Isso acaba fugindo um pouco do padrão. Eu, particularmente, pretendo trabalhar, sim, na Copa do Mundo, mas com a mão bem leve. Fazendo poucas apostas. Eu não tenho números consolidados em Copas e acredito que ninguém tenha. Porque a gente é habituado a trabalhar em campeonatos regulares. Os torneios nacionais de todos os países estão sempre rolando. Agora, quando vem um campeonato longo, que os times estão há quatro anos sem se enfrentar, acaba com que isso prejudique na análise. Por isso, eu pretendo começar com a mão mais leve. Mas vá que eu consiga traçar um padrão no começo dos jogos, aí eu posso apostar mais. Mas a minha intenção é trabalhar de uma forma bem leve durante a Copa do Mundo.

Odds Scanner: Para finalizar, quais são os seus planos para o ano que vem e também a longo prazo? O que está na agenda de Guilherme Delpino?

Guilherme Delpino: Eu vou ser bem sincero com você. O meu futuro está se encaminhando para ser apenas Robocopy. Eu pretendo trabalhar com o Robocopy e, futuramente, abrir um processo de mentoria presencial aqui na empresa. Eu nunca trabalhei de maneira presencial com os alunos, sempre foi de forma virtual, e tenho esse projeto pro futuro de trabalhar nesses dois núcleos. O serviço de consultoria eu acredito que, com a chegada do Robocopy, a galera vai se esforçar daqui pra frente. Eu vou mostrar os números de tudo o que rola e vou tentar incentivar todos a trabalharem mais com o Robocopy do que seguir com o serviço de consultoria. Sobre aposentadoria, eu tenho uma faixa de tempo e um rendimento que eu quero ter até uma faixa de idade e, quando eu chegar perto dos 40, 50 anos, quem sabe eu já me aposente para curtir a vida apostando apenas anonimamente. Porque, também, é um processo cansativo. As pessoas acham que ser YouTuber e influencer é muito fácil, mas cansa também. Acordar e dormir pensando em novas ideias, produzir conteúdos diários é cansativo, então eu tenho essa estimativa de me aposentar, se possível, cedo nas apostas esportivas. Não que eu não goste. Eu vou continuar apostando, mas agora de uma forma anônima.