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Qatar 2022: O aproveitamento de Portugal frente aos seus adversários na fase de grupos

tiago magalhaes
Escritor:
Tiago Magalhães
Publicado em:
26/05/2022
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A seleção portuguesa marcará presença no próximo Campeonato do Mundo Qatar 2022, sendo que estará incluída no Grupo H com o Gana, Coreia do Sul e Uruguai.

O conjunto orientado por Fernando Santos tem aqui uma excelente oportunidade de avançar nesta fase de grupos, tendo em conta as prestações recentes dos seus adversários nas últimas grandes competições mundiais, com uma ligeira exceção para o Uruguai.

Este é um grupo que terá início a 24 de novembro, e Portugal irá defrontar o Gana na primeira partida da fase, onde uma vitória poderá ser crucial para começar a criar expetativas para os jogos seguintes.

Sorteio positivo para os portugueses

É inegável que o sorteio acabou por ser positivo para o conjunto português. Este acaba por ser um grupo “nivelado por baixo”, onde a seleção das “quinas” poderá sair muito bem no primeiro lugar para a fase seguinte.

Tendo em conta todo o talento existente neste Qatar 2022, Portugal poderá mesmo considerar que acabou por ter “sorte” nas equipas que vai enfrentar, já que o histórico frente às mesmas não é propriamente péssimo.

Portugal entra assim para esta competição com expetativas elevadas para o início, com a fase posterior ainda a ser uma incógnita e onde poderá começar a apanhar alguns dos “tubarões mundiais” – isto é perfeitamente natural, tendo em conta o nível em que a seleção está inserida.

Esta poderá ser mesmo a “última oportunidade” de alguns dos jogadores mais condecorados de sempre a nível internacional por Portugal. É o caso de Cristiano Ronaldo, por exemplo, que começa a mostrar sinais de esta ser a sua última competição internacional.

Apesar de estarmos perante uma seleção com enormes individualidades e que acaba por vir de alguns títulos mais recentemente a nível internacional, Portugal não é considerado um dos favoritos à vitória, estando apenas na oitava posição em relação aos favoritos das casas de apostas.

Gana – O adversário praticamente desconhecido

A seleção do Gana chega a esta competição depois de ter eliminado a Nigéria nos “playoffs” de qualificação da zona africana, num duelo que acabou por ser resolvido devido à diferença de golos marcados fora por parte dos ganeses.

A grande estrela deste conjunto acaba por ser o médio do Arsenal, Thomas Partey, curiosamente o marcador do único golo nos referidos playoffs de qualificação.

Na pré-seleção dos ganeses estão dois nomes de atletas que militam em Portugal, Mumin, defesa central do Vitória SC e Issahaku, um jovem recentemente contratado pelo Sporting e que está ainda nas equipas de formação do futebol.

Existem algumas dúvidas se os ganeses conseguirão obter a dupla nacionalidade de dois jogadores de grande qualidade para este Mundial, contudo, as expetativas parecem baixas sobre os mesmos preterirem possíveis chamadas à seleção inglesa.

O corpo técnico do Gana viu algumas mudanças mais recentemente após a desilusão sofrida na CAN, sendo que Otto Addo (ex-jogador ganês) será o novo comandante desta equipa após a demissão do sérvio Milovan Rajevac.

Em todo o histórico competitivo a nível internacional, Gana e Portugal apenas se encontraram numa ocasião, no Campeonato do Mundo de 2014, em que os portugueses saíram por cima com uma vitória por 2-1.

A Coreia do Sul traz más recordações

Paulo Bento será o treinador que estará na frente do comando desta seleção sul coreana, conjunto que não traz grandes memórias para Portugal, já que a única vez que estes países se encontraram foi no Mundial de 2002 e onde a Coreia do Sul venceu por 1-0.

O português é, no que toca aos dados estatísticos, o selecionador de maior sucesso à frente da Coreia do Sul, e o treinador há mais tempo no cargo, com 28 vitórias nos 42 jogos em que esteve a orientar esta seleção.

A grande estrela deste país asiático é o avançado Sun Heung-min, que aos 28 anos está no pico da sua carreira ao serviço do Tottenham, numa das melhores competições do mundo de clubes, a Premier League.

Destaque também para Hee-chan Hwang, que atualmente representa o Wolverhampton e tem uma enorme relação com o contingente português, ao ser uma das peças influentes nesta temporada na rotação de Bruno Lage.

Esta é a décima primeira vez que a Coreia do Sul estará presente numa fase final do Campeonato do Mundo, um dado importante tendo em consideração a evolução do futebol à escala global.

Uruguai será alvo prioritário a abater

É inegável que o Uruguai é o alvo prioritário a abater por parte de Portugal, não só por ser a seleção mais rotulada do grupo, mas também pela derrota que infligiu aos portugueses na edição anterior desta competição.

Os uruguaios acabam por ser uma das equipas com maior palmarés no Qatar 2022, beneficiando do facto de somarem dois títulos de campeões do mundo.

Esta seleção tem vindo a ser muito competente a nível internacional, tendo conseguido a sua décima quinta Copa América em 2011, bem como criar algumas estrelas pelo caminho, como o experiente atacante, Luis Suarez.

Atualmente atravessa um ligeiro “processo de renovação”, com alguns jogadores a ganharam um grande destaque, como é o caso do avançado do SL Benfica, Darwin Nuñez. Contudo, outros nomes saltam à vista, esperando-se que Fede Valverde, Edison Cavani e a dupla de centrais Godin-Coates venham a tornar a competição ainda mais difícil.

Portugal enfrentou por três ocasiões o Uruguai, embora só uma tenha sido num jogo oficial.

Comparação teórica com outros grupos

Fazendo uma vistoria geral pelos outros grupos que marcam o Qatar 2022, Portugal poderá mesmo afirmar que tem um grupo bastante interessante, assim como todas as expetativas de avançar.

No Grupo A, o grande destaque vai para os Países Baixos, com o Senegal e o Equador a disputarem o segundo lugar, embora o Qatar possa vir a ser uma surpresa, uma vez que é a equipa da casa.

No Grupo B, que ainda não está completamente decidido, o grande destaque vai para a Inglaterra, que está inserida naquele que parece ser o grupo mais fácil da competição.

No Grupo C, a Argentina acaba por se destacar, sendo este um grupo que terá o segundo lugar como maior disputa, com México, Polónia e Arabia Saudita à procura de avançar.

O Grupo D é marcado pelos atuais campeões em título na França, sendo que terão a companhia da Dinamarca, da Tunísia e de outra equipa ainda por definir.

O Grupo E é, provavelmente, um dos grupos mais complicados, com nomes como Espanha e Alemanha à cabeça, sendo que o Japão poderá criar dificuldades, tal como (Costa Rica ou Nova Zelândia).

O Grupo F conta Croácia e Bélgica como candidatos a avançar, contudo, cuidado com Marrocos que é uma seleção experiente e o Canadá que está a despontar a nível internacional.

Por último, temos o Grupo G, que tem o Brasil nos maiores favoritos ao título, sendo que esta seleção terá a companhia da Sérvia, da Suíça e dos Camarões, naquele que poderá ser um dos grupos mais competitivo.

Em termos gerais, existem algumas seleções com claro favoritismo em avançar na competição, porém, estas últimas edições do Mundial têm sido marcadas por muitas surpresas, algo que também poderá acontecer aqui.

Perspetivas para a seleção portuguesa

Portugal entra para esta competição com perspetivas de conseguir o melhor resultado possível, sendo que se passar a fase de grupos (o objetivo mínimo à partida), as eliminatórias poderão ser uma “caixa de surpresas” por descobrir.

Estamos perante uma das seleções mais talentosas dos últimos anos, provavelmente mais talentosa ainda que a apresentada em 2016, onde se tornou campeã europeia, porém, algumas das suas estrelas estão em final de carreira.

Esta deverá ser a última oportunidade para jogadores como Cristiano Ronaldo, Pepe e João Moutinho conseguirem mais um título internacional ao nível de seleções, sendo que após esta competição, as chaves deverão ser entregues a jogadores como Bernardo Silva ou Bruno Fernandes.

Os cruzamentos possíveis não são propriamente muito elucidativos relativamente ao que podemos esperar, porém, é possível que esta seleção tenha de enfrentar o Brasil numa eliminatória precoce, um jogo por si só extremamente complicado.

Concluindo: o Qatar 2022 é um torneio que fica marcado pela “diferença”. Uma vez que é disputado a meio da temporada, terão de existir algumas adaptações. Isto poderá ser muito importante para as seleções mais experientes e que têm nesta altura do ano os seus jogadores a atingir o pico de forma.