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Os treinadores portugueses no futebol brasileiro e o seu sucesso

tiago magalhaes
Escritor:
Tiago Magalhães
Publicado em:
28/03/2022
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A cultura do futebol é cada vez mais internacional e o Brasil, apesar de ser reconhecido como um dos países onde mais oportunidades são dadas a nível interno, também começa a expandir o seu mercado com outros jogadores e treinadores.

Devido à barreira linguística, a maioria das opções tem recaído em treinadores da América do Sul, sendo que mais recentemente uma vaga de treinadores portugueses começou a emergir nesta que é uma das nações mais importantes no futebol atual.

Esta relação acaba por tomar uma maior preponderância devido à grande efetividade que alguns dos nomes tiveram nos seus emblemas, trazendo títulos não só no Brasil, mas também na América do Sul às suas equipas.

Vejamos melhor esta “nova simbiose” entre os treinadores portugueses no futebol brasileiro e o seu sucesso recente, com alguns nomes em pleno destaque.

Treinadores portugueses e o seu passado

Apesar de esta ser uma “moda recente”, os treinadores portugueses já começam a acumular algum historial em terras canarinhas, sendo Jorge Jesus o nome mais sonante.

Contudo, outros nomes facilmente reconhecíveis no futebol português já tiveram passagens pelo Brasil, mas de uma forma menos reputada.

Jorge Jesus, Flamengo

A chegada de Jorge Jesus ao Flamengo foi um acontecimento verdadeiramente marcante, não só para os media em Portugal, mas para toda a cultura do futebol no Brasil.

O experiente treinador vinha de passagens com sucesso por dois grandes clubes e por uma relativamente curta estadia na Arábia Saudita, onde venceu a Supertaça em 2018.

No seu tempo ao comando do Flamengo, Jesus conseguiu um enorme sucesso, tendo apenas perdido 4 jogos ao comandado técnico do “Flu” e garantindo 5 títulos a nível nacional e internacional.

O ponto alto do treinador português chegou com a vitória na final da Taça Libertadores, ao virar o jogo nos últimos minutos para garantir um título histórico frente aos rivais argentinos do River Plate.

Logo após esta distinção, o experiente treinador viria a “fazer das suas” ao conquistar o Campeonato Brasileiro, colocando o Flamengo num patamar onde nenhuma equipa brasileira havia estado desde 1963.

Importa também realçar a presença do seu conjunto no Mundial de Clubes, onde teve uma prestação de grande nível, ao levar o favorito ao troféu Liverpool, puxando das suas melhores cartadas para vencer o encontro.

As passagens-relâmpago pelo Brasil

Para além de Jorge Jesus, outros treinadores portugueses passaram pelo Brasil, mas sem tanto sucesso, é o caso de Jorge Joreca, treinador do São Paulo e do Corinthians na década de 40.

Depois deste, outros nomes mais recentes viriam a tentar singrar neste país, como:

  • Paulo Bento – Cruzeiro em 2016
  • Jesualdo Ferreira – Santos em 2020
  • Ricardo Sá Pinto – Vasco da Gama em 2020
  • Augusto Inácio – Avaí em 2020
  • Sérgio Vieira – Várias passagens, com especial incidência como treinador interino no Atlético Paranaense

Estes são os treinadores portugueses mais conceituados, sendo que existem outros que passaram por escalões inferiores do futebol brasileiro.

O presente e o futuro no Brasil

O Brasil começa a entender que o “mercado do treinador português” pode levar um clube ao sucesso e, assim sendo, esta fórmula tem vindo a ser replicada por vários emblemas à procura do êxito a nível nacional e internacional.

Abel Ferreira, Palmeiras

Depois de passagens marcantes pelo Braga e PAOK, Abel Ferreira chegou ao Palmeiras para substituir Vanderlei Luxemburgo, uma tentativa deste emblema de trazer um futebol de maior sucesso e que fosse mais atrativo para os seus adeptos.

Pouco mais de um ano passado, Abel Ferreira já venceu duas Taças Libertadores e uma Copa do Brasil, estando-lhe a faltar neste momento o título do Brasileirão no seu currículo.

Atualmente, é um dos treinadores de maior sucesso na história do Palmeiras, sendo apenas o sexto nome a passar a marca dos 100 jogos no clube, o que demonstra a satisfação pelo trabalho desenvolvido até ao momento.

Vitor Pereira, Corinthians

Vítor Pereira entra para o campeonato brasileiro a tentar relançar a sua carreira, depois de estadias sem grande sucesso em alguns países, em particular a sua última presença na Turquia, onde teve um péssimo registo no Fenerbahce.

O clube sediado em São Paulo assinou Vítor Pereira no mês de fevereiro, com um contrato de duração de uma temporada, confiando assim as hostes ao técnico português.

A estreia não foi propriamente auspiciosa, mas o trabalho do antigo campeão português, grego e chinês ainda está no início e tem vindo a ser reconhecido pelos adeptos, apesar de existir sempre algumas discordâncias relativamente aos treinadores que não são brasileiros.

Paulo Sousa, Flamengo

A contratação mais sonante deste verão foi claramente Paulo Sousa, que chegou ao conjunto do Flamengo com um enorme peso em cima, não só de tentar replicar o sucesso de Jorge Jesus neste clube, mas também com toda a polémica a envolver a seleção da Polónia.

Paulo Sousa não começou da melhor forma a sua estadia no “Flu”, chocando um pouco de frente com alguns dos jogadores e a maioria da classe associativa, tendo perdido a sua primeira final a nível interno.

O Flamengo jogou frente ao Atlético Mineiro a Supertaça do Brasil, tendo perdido o título apenas após as grandes penalidades, com um resultado final de 8-7.

António Oliveira, Athletico Paranaense

António Oliveira é provavelmente o nome “menos sonante” dos treinadores no Brasileirão, sendo que aos 38 anos tem aqui o seu maior desafio como comandante principal de um emblema, depois de passagens por outros cargos.

Filho de Toni e um dos protegidos de Jesualdo Ferreira, António Oliveira é um treinador em ascensão e que já conta com vasto conhecimento do futebol brasileiro, maioritariamente por ter feito parte do comando técnico do Santos, passando posteriormente para o Athletico Paranaense.

Depois de uma temporada que finalizou com o 9º lugar no Campeonato Brasileiro, o objetivo de António Oliveira é levar a equipa à luta por títulos nacionais.

Treinadores atualmente em divisões inferiores

Esta tendência de os treinadores portugueses chegarem ao Brasil não se limita apenas à Série A do Campeonato Brasileiro, sendo que existem outros nas competições mais inferiores.

Dois treinadores destacam-se nesta vertente, embora por razões distintas.

Paulo Morgado, São Raimundo-AM

Desde a temporada de 2011 no Brasil que Paulo Morgado tem passado por várias equipas de divisões inferiores, sendo que esta temporada está ao comando do São Raimundo-AM.

O treinador português é mais conhecido pelo seu trabalho nos escalões jovens, porém, esta época, irá orientar a equipa sénior na Série D brasileira.

Luís Miguel Gouveia, Sete Setembro-PE

No Brasil desde 2006, Luís Miguel, como é conhecido no mundo do futebol brasileiro, é um dos treinadores mais acarinhados nas divisões inferiores brasileiras.

Esta temporada está ao comando do Sete Setembro-PE, uma equipa que atua na Série A1 do Campeonato Pernambucano e que tem a particularidade de contar com jogadores do Togo na sua constituição.

Tendências futuras na escolha de treinadores

A chegada de treinadores portugueses ao Brasil não é nenhuma coincidência, sendo que existem inúmeras razões para que esta relação seja cada vez mais forte.

Em primeiro lugar o contexto linguístico é extremamente importante, já que o desenvolvimento de conceitos táticos através do português é notoriamente mais fácil, o que ajuda a maioria dos clubes.

Depois a reputação que os treinadores “criados em Portugal” têm vindo a ganhar é imensa, sendo que somos um dos países com maior expressão na modalidade, muito devido às referências que temos como orientadores.

Por último, o facto de ter havido recentemente dois casos de enorme sucesso, Jorge Jesus e Abel Ferreira, faz com que o Brasil esteja cada vez mais recetivo ao mercado nacional, sendo que outros nomes já foram cogitados, como Ricardo Soares e Carlos Carvalhal.

Esta é uma tendência que tem tudo para continuar a ser mais explorada e mais enriquecida, não só pelos “pergaminhos” que trazem para o futebol brasileiro, mas também pela janela de oportunidade que alguns treinadores poderão ter fora do país e que não teriam na Europa.

Contudo, é necessário contextualizar que os adeptos do futebol brasileiro são dos mais exigentes que existe em todo o mundo, daí as trocas constantes de treinadores, onde também contribuem os altos e baixos que vários emblemas históricos costumam ter.

Até ao momento, o sucesso tem estado do lado de alguns destes nomes, mas com a chegada de mais e mais competição a nível interno, alguém irá ficar de fora nas maiores decisões e irá certamente ser descartado rapidamente.

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