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Cristiano Penaldo? Lewandowski concretiza 90% de penáltis

patricia barbosa
Escritor:
Patrícia Barbosa
Publicado em:
11/02/2022
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Vulgarizou-se no mundo do futebol e na internet em particular a alcunha e hashtag “Penaldo” atribuída a Cristiano Ronaldo. Com sentido pejorativo, a alcunha refere-se a uma alegada dependência, da parte do português, de pontapés da marca de grande penalidade para conseguir marcar golos.

Certamente que a evolução no estilo de jogo de CR7, bem diferente do estilo do seu início de carreira, terá contribuído para este fenómeno, bem como para o elevado número de penáltis marcados (143, de acordo com o Transfermarkt). A animosidade que Ronaldo provoca em muitos adeptos (fãs de Messi ou simples “haters”) também contribuirá.

Mas será que CR7 é o jogador mais eficaz a transformar pontapés da marca de grande penalidade em golos?

Olhando aos mercados de aposta em penáltis, estará aqui uma oportunidade para os apostadores desportivos? É aqui que surge a comparação com outra das grandes estrelas da atualidade: o polaco Robert Lewandowski, titularíssimo do Bayern Munique e da seleção da Polónia, e vencedor do prémio The Best da FIFA em 2020 e 2021. Analisemos estes e outros dados de interesse para os apostadores.

Percentagem de concretização de penáltis

De acordo com o Transfermarkt, Lewandowski apontou 73 penáltis ao longo da carreira e concretizou 66. Já Ronaldo precisou de 172 tentativas para concretizar os já citados 143 golos. Daqui resulta que a percentagem de concretização de “Lewa” é de 90,4%, enquanto a de CR7 é de “apenas” 83,1%.

Como apostar na concretização de penáltis em função desta estatística?

O facto de CR7 ser mais associado à marcação de penáltis na mente do público faz com que as casas de apostas tendam a oferecer odds relativamente baixas nos mercados de penáltis. Afinal, uma percentagem de concretização acima de 80% é bastante elevada para quem procura apostas seguras e de baixo risco.

Poderá suceder que as odds para apostar em Lewandowski na marcação de penáltis estejam um pouco mais altas do que seria de esperar, até na comparação com Ronaldo. O facto de o polaco estar “ausente” destas polémicas retira-o do “radar”, tanto do público como das casas de apostas. Contudo, como os números demonstram, a probabilidade de o polaco concretizar um penálti que se proponha marcar é elevadíssima.

Que outros eficazes marcadores de penáltis existem na atualidade?

De acordo com a obra “In That Number – A post-war chronicle of Southampton FC”, publicada em 2003 por Duncan Holley e Gary Chalk, o médio atacante Matt Le Tissier (há muito retirado dos relvados) falhou apenas um dos 48 penáltis que tentou ao serviço do Southampton, com uma percentagem de 98%.

O inglês é um bom exemplo de que um exímio marcador de penáltis pode não estar necessariamente na “calha” para ser um dos melhores de todos os tempos – ao contrário de Lewandowski, cujas duas vitórias no The Best já ficam para a história.

Vejamos de relance alguns dos melhores marcadores de penáltis da atualidade, incluindo uma surpresa:

Penalidades

Convertidas

Desperdiçadas

%

Lewandowski 66 7 90,4
CR7 143 29 83,1
Lionel Messi 103 29 78
Mario Balotelli 40 5 88,9
Neymar Jr. 63 14 81,8
Jorginho 38 6 86,4
Mohamed Salah 24 5 82,8
Bruno Fernandes 42 4 91,3

Tendo em conta a totalidade da carreira, a percentagem de concretização de Bruno Fernandes é ainda mais alta que a de Lewandowski. O polaco, naturalmente, é mais concretizador. Os seus 48 golos na época transata chamam mais a atenção (do público em geral) que os 28 do médio atacante do Manchester United. Mas os apostadores farão bem em estar atentos às oportunidades; por escassas que sejam, Fernandes não costuma desperdiçá-las.

Outro avançado com uma percentagem de penáltis muito elevada é Mario Balotelli. A sua carreira não resultou nos sucessos que o seu destaque precoce prometia. Porém, o italiano de 31 anos parece estar a voltar a uma fase de estabilidade e eficácia.

Com 11 golos em 22 jogos nesta época, ao serviço do Adana Demirspor (Liga e Taça da Turquia), Balotelli já fez o suficiente para justificar a convocatória para a ‘Squadra Azurra’ pelo selecionador Roberto Mancini.

Para as odds e os prémios das casas de apostas, não importa que a Liga turca não esteja entre as cinco maiores da Europa – o que interessa é que Balotelli nela possa, e consiga, espraiar o seu talento.

Saliente-se que, nesta época, “Super Mario” concretizou os dois penáltis que apontou.

Percentagem de golos: justifica-se o “Penaldo”?

Terão os adeptos razão? Será que Ronaldo “só” marca através de penáltis?

De acordo com o Transfermarkt, Lewandowski marcou 478 golos ao longo da sua carreira (ao serviço dos clubes), tendo concretizado 66 deles através de penáltis. A taxa de concretização de golos em penáltis é de 13,8%. Já a taxa de Cristiano, tendo em conta os seus 688 golos (ao serviço dos quatro clubes profissionais pelos quais passou, e sem contar com a seleção), é de 20,8%.

O facto de estar a aproximar-se dos 150 golos marcados em penáltis ajuda a consolidar, na mente do público, a ideia do “Penaldo”. Em números absolutos, tem sido de facto muito frequente a concretização de penáltis por parte do madeirense. Os números não demonstram que a diferença seja tão relevante assim, mas 7 pontos percentuais são, para este efeito, consideráveis.

Dados recentes

Se analisarmos dados recentes, a comparação ganha ainda mais sentido.

De acordo com o mesmo Transfermarkt, Lewandowski concretizou 36 golos, até ao momento, na época 21/22, incluindo 4 penáltis. Já Ronaldo está muito próximo na contagem absoluta (35) e também no número de penáltis (2).

Analisando as taxas de concretização, a de CR7 é de 5,71%, enquanto a de “Lewa” é de 11,11%. Porém, podemos descartar esta diferença visto que ambos os avançados têm recorrido pouco ao penálti esta época – nomeadamente em relação ao histórico das carreiras de ambos.

Já na época 2020/21 constatamos que, dos 36 golos marcados por Ronaldo, 14 foram através de penálti. A taxa de 38,9%, bem acima da média da sua carreira, ajuda a explicar a persistência do “Penaldo” entre os adeptos. Mas Lewandowski também mostra uma taxa elevada na época passada: 20,8%, resultado de 10 penáltis em 48 golos.

Lewandowski e Ronaldo: em que mercados de golos vale a pena apostar?

Uma análise aos dados do Transfermark permite-nos chegar a outras conclusões, válidas tanto para apostas em pré-match como ao vivo.

Uma delas refere-se à capacidade dos avançados de concretizarem na primeira parte, na segunda ou no prolongamento. No caso de Lewandowski, constatamos que 217 golos foram marcados na primeira parte, 260 na segunda e um no prolongamento.

Em geral, o polaco mantém a mesma eficácia ao longo de toda a partida, com cerca de 54% dos golos a surgirem na segunda parte. Curiosamente, é também de 54% a percentagem de golos marcados na segunda parte por parte de CR7 (sem contar, recorde-se, com golos ao serviço das seleções nacionais).

Já a análise feita por períodos de 15 minutos revela um dado curioso. Os golos de Lewandowski encontram-se, mais uma vez, sensivelmente bem distribuídos ao longo de todos os seis períodos de 15 minutos que compõe uma partida de futebol. Em relação ao total, a percentagem de golos marcados em cada período oscila entre os 13% e os 17%.

No caso de Cristiano Ronaldo, 20,1% dos seus golos apontados ao serviço dos clubes surgiram no último quarto de hora. É uma percentagem bastante elevada, tendo em conta a natureza desta estatística, e que ajuda a explicar a imagem do CR7 como alguém que ajuda a decidir jogos. Mais ainda porque marcou 21 golos nos períodos de descontos na segunda parte. Pode parecer uma percentagem insignificante (0,9%), mas é sensivelmente o dobro dos 10 golos apontados por Lewandwski no período destas partidas.

Lewandowski: atenção ao “5º período”

Uma análise mais detalhada revela-nos que, dos 24 golos marcados pelo avançado polaco na presente temporada, 7 foram-no no “5º período”, isto é, entre os 61 e os 75 minutos da partida.

O “5º período” é geralmente uma fase decisiva de um jogo de futebol. É nele que se tendem a concentrar as substituições planeadas pelos treinadores, já que substituições antes dos 60 minutos tendem a ser motivadas por alterações táticas ou minimização de perdas. As substituições após os 75 minutos são mais para “cumprir calendário”). É também nesta fase que as equipas com menor estofo anímico começam a entrar definitivamente em perda, sem outro intervalo para recuperar até ao final.

Aparentemente, Lewandowski e o Bayern têm sabido explorar as fraquezas dos adversários neste momento decisivo. A liderança por mais de 10 pontos sobre o Borussia de Dortmund atesta a capacidade dos bávaros e o seu excelente momento de forma na Bundesliga.

7 golos em 24 representam 29% do total; ou seja, quase um terço dos golos de “Lewa” na presente Bundesliga surgiram entre os 61 e os 75 minutos. Eis uma estatística que poderá animar os apostadores que procuram oportunidades específicas.

Mais do que um golo

Igualmente alta é a percentagem de jogos em que o avançado polaco marcou mais de um golo: 28,5%. São 6 jogos em 21, tendo Lewandowski bisado contra o Estugarda, Dortmund, Union de Berlim e Bayer Leverkusen e apontado dois “hat tricks”, contra o Colónia e o Hertha de Berlim.