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Poirier narra dificuldades com adaptação à aposentadoria do MMA: ‘Mais difícil do que eu pensava’

Aos 36 anos, Dustin Poirier se aposentou do MMA após derrota para Max Holloway, em julho deste ano; confira mais detalhes

Poirier narra dificuldades com adaptação à aposentadoria do MMA: ‘Mais difícil do que eu pensava’
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Considerado um dos nomes mais respeitados da história recente do MMA, Dustin Poirier vive um período de adaptação emocional e mental após encerrar sua carreira profissional. O ex-campeão interino dos leves do UFC anunciou oficialmente a aposentadoria após a derrota para Max Holloway na disputa do cinturão “BMF”, em julho deste ano, encerrando uma trilogia histórica com o havaiano. A decisão pegou fãs e analistas de surpresa, já que muitos acreditavam que o veterano, aos 36 anos, ainda tinha condições de competir em alto nível.

Em entrevista ao site “MMA Fighting”, Poirier abriu o coração sobre as dificuldades que vem enfrentando fora dos holofotes. Segundo o norte-americano, o processo de adaptação tem sido mais árduo do que imaginava, e a ausência da rotina de treinos e lutas tem deixado um vazio difícil de preencher.

“Sim, é mais difícil do que eu pensava que seria. Achei que seria um alívio. Quando eu finalmente coloco as luvas no chão e não tenho esse peso nas costas, ou essa nuvem sobre minha cabeça de melhorar, ou o que vem a seguir, há outro lutador treinando para competir contra mim… Isso tem sido assim na minha cabeça há 20 anos. Achei que seria um alívio e que a vida começaria de uma maneira diferente, mas ainda não foi assim”, revelou o ex-lutador.

Em tom reflexivo, Poirier destacou que o “fogo interno” que o motivou ao longo de duas décadas de carreira ainda está presente. O veterano lamentou não poder mais “consertar o barco”, como costumava fazer após derrotas, e reconheceu que o afastamento do ambiente competitivo tem sido emocionalmente desafiador.

“Talvez eu ainda esteja processando, talvez leve mais tempo do que eu esperava. Mas quando você faz algo por tanto tempo e dedica sua vida a isso… Todos os dias eu acordava com um fogo sob mim, tentando ser um lutador melhor, ficar em melhor forma, aprender novos truques, fazer perguntas. Foi uma jornada em que descobri muito sobre mim mesmo, mas descobri isso por meio das artes marciais”, relatou Poirier, que seguiu:

“E então, um dia você acorda e ele simplesmente não está lá, mas o fogo ainda está lá. Mas o fato de que não poderei fazer isso novamente – e sempre que perdi em minha carreira, sempre consertei o barco, sempre coloquei as coisas de volta na direção certa – e agora, ao sair disso, sei que foi assim. Não tenho mais a chance de consertar esse barco, não tenho mais a chance de colocar minhas mãos no ar novamente”, desabafou.

Mesmo diante das incertezas, o ex-campeão interino dos leves busca encontrar equilíbrio e acredita que o tempo será um aliado na superação dessa fase. Poirier tem procurado se manter ocupado para evitar a ociosidade, embora reconheça a dificuldade de abandonar o ritmo intenso que manteve durante toda a carreira.

“Sinto mais falta do que pensei que sentiria e ainda estou processando tudo isso, dia após dia. O tempo cura tudo, mas só espero entrar em um fluxo melhor. Tenho tentado manter minha mente ocupada… Mas, Deus, tenho que lhe dizer, são longos os dias em que não estou acordando para treinar, voltando para casa, treinando novamente, fazendo trabalho na estrada. Não é apenas um esporte em que competi, é uma maneira de viver minha vida e ainda estou processando”, finalizou.

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