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Jogadores que rejeitam vacina atrapalham calendário e clubes da Premier League

raphael saavedra
Redator:
Raphael Saavedra
Publicado em:
27/01/2022
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A Premier League divulgou um relatório que aponta que 77% dos atletas estão com o esquema vacinal completo contra a Covid-19, ou seja, com as duas doses ou dose única dos imunizantes. Porém, a entidade não divulga dados específicos de times e jogadores. Logo, não há informações concretas sobre a presença de brasileiros nessa lista.

Apesar disso, é possível chegar a algumas conclusões. O técnico Jurgen Klopp, do Liverpool, foi um dos que defendeu a vacina publicamente e afirmou que não pretendia contratar jogadores que não estão imunizados — o time inglês tem quatro brasileiros no elenco.

Além disso, o caso recente do lateral Renan Lodi, que foi cortado da Seleção Brasileira por não ter tomado as duas doses da vacina, indica que os atletas da Premier League que vestem a Amarelinha estão em dia com essa responsabilidade.

Fato é que a Premier League tem uma cobertura vacinal menor do que outras ligas, ao menos nas estatísticas divulgadas oficialmente. Com o avanço da variante Ômicron, a competição sofreu um “boom” de casos e dezenas de jogos foram adiados nas últimas semanas.

Índice de vacinação na Premier League está abaixo de outras ligas

Números divulgados pela Premier League no fim de dezembro indicavam que 84% dos jogadores tomaram, pelo menos, uma dose da vacina e que 77% deles estavam com o esquema vacinal completo. Ou seja, 16% deles não tomaram nenhuma dose dos imunizantes disponíveis.

Quase um mês depois, é possível que esse número tenha aumentado. Porém, de acordo com uma matéria do New York Times, a liga encontrava dificuldades para vacinar o restante deles, que são quase 100 jogadores da elite do futebol inglês. Entre eles, não há confirmação se existem brasileiros.

Os números ficam abaixo do que foi divulgado por outros países. A Série A Italiana vacinou 98% dos jogadores, enquanto a França (95%) e Alemanha (94%) têm números próximos. Já o futebol espanhol divulgou que, entre vacinação e imunidade natural, a cobertura era de 97% dos jogadores.

Portanto, mesmo que a taxa de 84% seja considerada, ainda é um valor relativamente baixo na comparação com outras ligas. As consequências foram sentidas diretamente no calendário de jogos, principalmente pelo avanço da variante Ômicron do vírus causador da Covid-19.

Inglaterra na contramão de outros países

No fim de 2021, vários clubes passaram por surtos da doença e uma série de jogos foram adiados. Um dos motivos foi que, pela lei britânica, não vacinados que tiveram contato próximo com pessoas contaminadas precisam se isolar.

Assim, a entidade luta para equilibrar o índice de cobertura vacinal com outras ligas e evitar problemas com os elencos das equipes.

Enquanto isso, as partidas da Bundesliga em 2022 não têm a presença de torcedores nos estádios. Já Itália e Espanha reduziram o número de pessoas que podem assistir aos jogos.

Por outro lado, o Reino Unido flexibilizou o acesso aos estádios e retirou a exigência de testes negativos para torcer presencialmente.

Klopp exige comprovante de vacinação

Em dezembro, o técnico do Liverpool Jurgen Klopp declarou que o status de vacinação influenciaria na contratação de novos jogadores. À época, o futebol inglês já sofria com o surto de Covid-19, que adiou vários jogos.

“Se um jogador não for vacinado, ele é uma ameaça constante para todos nós”, afirmou o técnico. No mesmo dia, a partida entre Burnley e Aston Villa foi cancelada duas horas antes do pontapé inicial pelo número de testes positivos.

Inclusive, o Liverpool também viveu caso parecido no início deste mês e precisou adiar a semifinal da Copa da Liga Inglesa, contra o Arsenal. Alisson e Roberto Firmino foram infectados, mas o goleiro defendeu publicamente a vacina e afirmou que a maioria do elenco tomou as duas doses.

O Liverpool não fez nenhuma contratação na janela de transferências de janeiro, então a “nova política” não entrou em vigor. Apesar disso, outros técnicos declararam ter opinião similar a Klopp: Mikel Arteta (Arsenal) e Steven Gerrard (Aston Villa) também não pretendem contratar jogadores não vacinados.

Kimmich teve salário cortado por não se vacinar

Na Alemanha, o caso de Joshua Kimmich ficou conhecido e arrancou muitas discussões no país. Em 2021, o volante multicampeão com o Bayern de Munique foi um dos jogadores da equipe que se recusou a se vacinar. De acordo com o jornal “Bild”, o grupo também era formado por Serge Gnabry, Eric Maxim Choupo-Moting, Jamal Musiala e Mickaël Cuisance.

Em novembro, após enfrentar o Freiberg pela Bundesliga, o jogador foi colocado em quarentena por contato próximo com pessoa suspeita de Covid-19. Posteriormente, sua infecção foi confirmada e ele teve que estender o seu isolamento.

O Bayern de Munique, então, decidiu multar os atletas que se recusaram a tomar vacina e perderam jogos ou treinamentos. Kimmich teve 300 mil euros (quase R$2 milhões) descontados dos seus vencimentos porque cumpriu quarentena e perdeu uma semana de atividades.

Sequelas de Covid-19 afastam Kimmich por 47 dias

Só que, para piorar a sua situação, o jogador foi diagnosticado com problemas pulmonares que surgiram após a infecção por Covid-19. Com pequenas infiltrações nos pulmões, ele foi afastado por um mês para continuar o tratamento.

Então, em dezembro, Kimmich mudou de ideia. Em entrevista para o canal alemão “ZDF”, afirmou que tomaria a vacina em breve. “Era difícil demais para mim lidar com o meu medo e as minhas preocupações”, justificou o astro.

No fim das contas, o volante ficou 47 dias longe dos gramados. A sua volta oficial ocorreu na derrota para o Borussia Monchengladbach, quando a Bundesliga teve seu reinício após as festas de fim de ano. Ainda não há confirmação se ele, efetivamente, recebeu a vacina.

Renan Lodi e a vaga perdida na Seleção Brasileira

Se não há maiores informações sobre brasileiros não vacinados na Premier League, o lateral Renan Lodi, do Atlético de Madrid, perdeu uma oportunidade na Seleção Brasileira por não ter completado a vacinação contra a Covid-19.

Quem confirmou a informação foi o técnico Tite e o coordenador de seleções, Juninho Paulista. Essa seria uma nova chance para o jogador após a Copa América, quando ele falhou no gol da vitória da Argentina, na grande final.

De acordo com Juninho, Lodi recebeu a primeira dose apenas no dia 10 de janeiro. Ou seja, não teria tempo hábil para receber a segunda dose antes das partidas pelas Eliminatórias da Copa, contra Equador e Paraguai.

O Equador não permite que pessoas sem a vacinação completa entrem no país. “Ele perdeu a possibilidade de concorrer em função de não ter se vacinado”, declarou Tite. “Vacinação é uma responsabilidade social”, completou. Isso indica que o restante da lista de convocados tomou a vacina.

O volante Casemiro, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, evitou criticar o companheiro, mas foi enfático na defesa da vacinação. “Cada um tem sua opinião. O meu pensamento é tomar a vacina e respeitar porque a saúde vem em primeiro lugar”, afirmou o jogador.

CBF vai exigir vacinação completa em 2022

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai exigir a vacinação dos jogadores para as suas competições em 2022. O Guia Médico de Medidas Protetivas para o Futebol Brasileiro 2022, publicado pela entidade, definiu que todos os atletas inscritos devem estar com o esquema vacinal completo.

De acordo com a publicação, a vacinação plena é alcançada 14 dias após a aplicação da segunda dose ou da dose única, se for o caso do imunizante. Dessa forma, o comprovante será exigido em todas as competições que são organizadas pela entidade.

Sem a apresentação, o atleta não pode ser relacionado na súmula. Mesmo com a normativa, os testes negativos continuam obrigatórios. A testagem deve ser feita no dia anterior à partida pelos mandantes e dois dias antes pelos visitantes.

A regra será válida a partir da Supercopa do Brasil, em fevereiro. Todas as divisões do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil também estão contempladas. A decisão não vale para os Estaduais, porque não são organizados pela CBF. Porém, a entidade recomenda que a vacinação também seja exigida pelas federações.

Clubes brasileiros têm jogadores não vacinados

No Brasil, a CBF não divulgou relatório com o percentual de jogadores vacinados, mas levantamento realizado pelo Jornal O Globo, em outubro, indicou que diversos times tinham atletas no elenco que não tomaram a vacina.

Recentemente, o técnico Hélio dos Anjos, do Náutico, criticou duramente os jogadores que seguiram esse caminho. No seu elenco, o zagueiro João Paulo e o atacante Júlio não puderam atuar contra o Campinense, pela Copa do Nordeste, devido às novas regras da entidade.

O treinador classificou como “irresponsabilidade” e chegou a chamar os atletas que não se vacinaram de “idiotas”, mas depois amenizou suas críticas. O zagueiro João Paulo tomou a primeira dose a pedido do clube assim que foi contratado, no início do ano. Não foi informado se Túlio também já tomou alguma dose da vacina contra Covid-19.

Em 2021, outros clubes também revelaram que não tinham elenco com vacinação completa, como o América-MG e o Cuiabá. No clube mato-grossense, Jonathan Cafu era o único atleta nessa situação. Emprestado pelo Corinthians, ele retornou ao clube de origem, mas não está nos planos do Timão.

Com as novas regras da CBF para competições nacionais e a restrição de entrada em países vizinhos, é provável que a cobertura vacinal dos times brasileiros aumente durante a temporada.

Polêmicas com grandes estrelas do esporte

Fora do futebol, outros astros do esporte também se envolveram em polêmicas relacionadas à vacina. O caso mais recente foi do tenista Novak Djokovic, número 1 do ranking mundial, que viveu uma verdadeira novela na Austrália e acabou impedido de jogar o primeiro Grand Slam do ano.

Além dele, os craques Kyrie Irving (basquete), e Aaron Rodgers (futebol americano) foram outros atletas que viraram manchetes dos jornais pelo seu status de vacinação. O primeiro, inclusive, foi afastado pelo seu clube e só voltou a jogar recentemente.

Novak Djokovic

Sem dúvida, Novak Djokovic é o jogador mais comentado no início de 2022, mas não pelas suas conquistas em quadra. Declaradamente antivacina, o tenista se envolveu em grande polêmica na sua tentativa de jogar o Australian Open, o primeiro Grand Slam da temporada.

As regras do país não permitem a entrada de pessoas sem a vacinação completa, mas o sérvio tentou utilizar uma permissão especial para jogar o torneio. Ele até conseguiu entrar no país, mas ficou detido em hotel e, após uma disputa judicial, foi deportado do país porque teve seu visto cancelado.

A história de Djokovic, nove vezes campeão do torneio, teve uma série de reviravoltas. Durante sua passagem pelo país, conseguiu decisão favorável de um juiz federal australiano e até participou de treinamentos nas quadras de Melbourne, mas a Corte do país revogou a decisão e decidiu pela sua deportação.